Crase – Portuguesando https://portuguesando.com.br Língua Portuguesa Thu, 22 May 2025 16:47:35 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 Gramática Descomplicada https://portuguesando.com.br/gramatica-descomplicada/ Thu, 22 May 2025 16:47:32 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=810 Pronomes que confundem: onde usar ‘mim’ ou ‘eu’?

Por que ‘há’ e ‘a’ confundem tanto? Veja quando usar cada um!

A Língua Portuguesa está cheia de pequenos detalhes que causam grandes dúvidas. Dois dos casos mais comuns são o uso dos pronomes “mim” e “eu” e a confusão entre “há” e “a” na indicação de tempo. Mas com uma explicação clara, tudo fica mais fácil!


🤔 Mim ou Eu?

Esses dois pronomes aparecem o tempo todo — mas nem sempre da forma correta. A regra é simples:

✅ Use “eu” quando o pronome for sujeito da ação (quem faz algo):

Eu vou à escola.
Eu terminei o trabalho ontem.

❌ Nunca diga: “Mim vai à escola.” (porque “mim” não faz nada)


✅ Use “mim” quando o pronome for objeto da ação (quem recebe algo):

Ele trouxe um presente para mim.
Eles falaram de mim na reunião.

❌ Nunca diga: “Entre eu e você.”

➡ O certo é: “Entre mim e você.”
(Mesmo sendo estranho aos ouvidos, está correto, pois depois da preposição “entre”, usamos o pronome oblíquo: mim.)


⏳ Há ou A?

Ambos indicam tempo, mas com sentidos diferentes.

✅ Use “há” (do verbo haver) quando puder substituir por “faz”:

dois anos, terminei a faculdade.
(Faz dois anos…)

muito tempo não te vejo.
(Faz muito tempo…)


✅ Use “a” (preposição) quando se referir a tempo futuro ou distância:

Daqui a duas semanas viajarei.
Estamos a cinco quilômetros do centro.

❌ Nunca diga: “Daqui há duas horas”.

➡ O certo é: “Daqui a duas horas”.


📝 Atividades de Fixação

✅ 1. Complete com “mim” ou “eu”:

a) Entre ___ e você, há muita diferença.
b) Quem vai apresentar o trabalho sou ___.
c) Trouxeram um presente para ___.
d) ___ não concordo com essa decisão.
e) Ela falou mal de ___ pelas costas.


✅ 2. Complete com “há” ou “a”:

a) Estamos esperando você ___ mais de uma hora.
b) Chegaremos daqui ___ 15 minutos.
c) Moro aqui ___ cinco anos.
d) A prova acontecerá daqui ___ três dias.
e) ___ quanto tempo você não vê seu tio?


✅ 3. Assinale a alternativa correta:

( ) Entre eu e você, não há segredos.
( ) Há muitos dias que não chove.
( ) Vou te visitar à dois meses.
( ) Ele pediu para eu entregar a carta.
( ) Mim gosta muito de sorvete.


✅ 4. Transforme as frases com erro, corrigindo-as:

a) Mim vai ao mercado.
b) Entre eu e você, tudo acabou.
c) Daqui há pouco, tudo estará pronto.
d) Há três dias atrás encontrei minha amiga.
e) Trouxeram presentes para eu.


✅ 5. Substitua o tempo verbal, ajustando “há” ou “a”:

a) Faz dois anos que terminei o curso.
b) Estarei de volta em três horas.
c) Faz muito frio por aqui ultimamente.
d) Chego aí em dez minutos.
e) Faz um bom tempo que não assisto TV.


✔ Gabarito Comentado

1.

a) mim (depois de preposição)
b) eu (sujeito da ação)
c) mim (objeto)
d) eu (sujeito)
e) mim (depois da preposição “de”)


2.

a) (substitui “faz”)
b) a (tempo futuro)
c) (tempo passado)
d) a (tempo futuro)
e) (tempo decorrido)


3.

Corretas:

  • (✔) Há muitos dias que não chove.
  • (✔) Ele pediu para eu entregar a carta.

Erradas:

  • “Entre eu e você” → Entre mim e você
  • “à dois meses” → há dois meses
  • “Mim gosta” → o certo é Eu gosto

4.

a) Eu vou ao mercado.
b) Entre mim e você, tudo acabou.
c) Daqui a pouco, tudo estará pronto.
d) Há três dias encontrei minha amiga.
e) Trouxeram presentes para mim.


5.

a) Há dois anos que terminei o curso.
b) Estarei de volta daqui a três horas.
c) Há muito frio por aqui ultimamente.
d) Chego aí daqui a dez minutos.
e) Há um bom tempo que não assisto TV.

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Palavras que Não Queremos Mais Usar: Quando a Língua Aprende com a Sociedade https://portuguesando.com.br/palavras-que-nao-queremos-mais-usar-quando-a-lingua-aprende-com-a-sociedade/ Wed, 21 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=805 Termos que caíram em desuso por respeito, empatia ou evolução social

A língua portuguesa, assim como qualquer idioma vivo, está em constante transformação. Essa evolução não ocorre apenas por questões estéticas ou práticas, mas também reflete mudanças profundas na sociedade, em seus valores e em sua compreensão sobre respeito e dignidade humana. Nesse processo evolutivo, algumas palavras e expressões que antes eram comumente utilizadas passaram a ser reconhecidas como preconceituosas, discriminatórias ou ofensivas, caindo gradualmente em desuso.

Este artigo aborda, de forma ética e educativa, termos que foram ou estão sendo abandonados no português brasileiro por carregarem preconceitos, estereótipos negativos ou por perpetuarem visões discriminatórias. Compreender esse processo não é apenas uma questão linguística, mas um exercício de empatia e cidadania que reflete o amadurecimento coletivo da nossa sociedade.

A língua como reflexo da sociedade

A linguagem que utilizamos não é neutra. Ela carrega valores, crenças e visões de mundo que podem tanto promover o respeito e a inclusão quanto perpetuar preconceitos e discriminações. Como explica o doutor em letras e pesquisador Gabriel Nascimento, no livro “Racismo Linguístico”, “o racismo está em todas as estruturas da nossa sociedade”, incluindo a língua que falamos e escrevemos diariamente.

Jorcemara Cardoso, doutora em linguística e coordenadora da comissão de diversidade, inclusão e igualdade da Associação Brasileira de Linguística (CDII-Abralin), complementa essa visão ao afirmar que “uma forma mais pulverizada do racismo linguístico é o imaginário que se construiu historicamente sobre o ‘erro de português’. Este é uma forma de reforçar na língua apenas o que espelha a branquitude”.

Quando tomamos consciência de que certas palavras ou expressões carregam preconceitos, temos a oportunidade de transformar nossa linguagem, tornando-a mais inclusiva e respeitosa. Essa mudança não é apenas uma questão de “politicamente correto”, mas um reconhecimento de que a língua pode ser um instrumento de dominação ou de libertação, dependendo de como a utilizamos.

Termos preconceituosos e suas origens

Muitas expressões preconceituosas têm raízes históricas profundas, frequentemente ligadas a períodos de opressão, como a escravidão no Brasil. Conhecer essas origens nos ajuda a compreender por que determinados termos devem ser abandonados e substituídos por alternativas mais respeitosas.

Vamos analisar alguns exemplos de termos e expressões que estão caindo em desuso por carregarem preconceitos:

1. “A coisa tá preta”

Esta expressão associa a cor preta a algo ruim, perigoso ou desfavorável. Ao utilizar “preta” como sinônimo de problema ou dificuldade, reforça-se inconscientemente um preconceito racial que associa a negritude a aspectos negativos.

Alternativas: “A situação é difícil”, “O caso é complexo” ou “A coisa está complicada”.

2. Termos depreciativos para cabelos afro

Expressões como “cabelo ruim”, “cabelo bombril” ou “cabelo duro” menosprezam características físicas das pessoas negras, associando-as a coisas ruins ou de qualidade inferior. Os tipos de cabelos existentes na sociedade são diversos e não existem melhores ou piores.

Alternativas: “Cabelos crespos” ou “cabelos cacheados”, conforme suas características específicas.

3. “Crioulo” ou “crioula”

De origem colonial, este termo refere-se pejorativamente à pessoa negra que era escravizada. Apesar de em alguns contextos específicos ter sido ressignificado por movimentos negros, seu uso por pessoas não-negras é considerado ofensivo e deve ser evitado.

Recomendação: Este termo deve ser excluído do vocabulário cotidiano.

4. “Da cor do pecado”

Ainda que muitas vezes empregada como suposto elogio, esta expressão reforça a objetificação e a sexualização do corpo negro, além de associar a negritude ao pecado, algo moralmente condenável na tradição judaico-cristã.

Recomendação: Deve ser excluída do vocabulário.

5. “Denegrir”

Seu uso está associado à ideia de macular, manchar ou sujar, remetendo à ideia de que tornar algo negro é negativo. Assim, reforça a ligação da pessoa negra a coisas ruins.

Alternativas: “Difamar” ou “caluniar”.

6. “Dia de branco”

De origem escravocrata, esta expressão tem dois usos: “hoje é dia de trabalho” ou “hoje é dia de descanso”. No primeiro caso, associa a pessoa escravizada à preguiça e o branco ao trabalho – o que é uma incongruência, uma vez que a escravidão era o pilar econômico do país. No segundo, faz alusão ao descanso porque o branco, por não trabalhar, poderia ter um dia de luxos enquanto seus escravos sofriam.

Alternativas: “Dia de trabalho” ou “dia de descanso”, conforme o contexto.

7. “Disputar a negra”

Refere-se a um jogo de desempate para determinar quem ganhará. Possui caráter racista e misógino e remete ao período da escravidão, quando homens brancos que possuíam mulheres escravizadas as apostavam como prêmio.

Alternativa: “Partida de desempate”.

8. “Esclarecer”

Significa tornar algo claro, trazer luz sobre determinado assunto. “Transmite a ideia de que a compreensão de algo só pode ocorrer sob as bênçãos da claridade, da branquitude, mantendo no campo da dúvida e do desconhecimento as coisas negras”, explica a cartilha do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Alternativas: “Elucidar” ou “explicar”.

9. “Mulata” ou “mulato”

Termo derivado de “mula” (animal híbrido e estéril), era usado para se referir a pessoas nascidas de relações entre pessoas brancas e negras. Além da origem pejorativa, o termo, especialmente no feminino, está associado à hipersexualização da mulher negra.

Alternativas: Pessoa negra ou parda, conforme a autodeclaração do indivíduo.

10. “Lista negra”

Associa a cor negra a algo negativo, indesejável ou proibido. Reforça estereótipos negativos relacionados à negritude.

Alternativas: “Lista de restrições” ou “lista de exclusões”.

A evolução da linguagem em relação a outros grupos

O abandono de termos preconceituosos não se limita apenas a questões raciais. A sociedade tem avançado também no reconhecimento e respeito a outros grupos historicamente marginalizados:

Pessoas com deficiência

Termos como “retardado”, “mongoloide”, “aleijado” ou “defeituoso” foram substituídos por expressões que reconhecem a dignidade e humanidade dessas pessoas. A própria expressão “portador de deficiência” caiu em desuso, sendo substituída por “pessoa com deficiência”, colocando a pessoa antes da condição.

Comunidade LGBTQIA+

Palavras pejorativas usadas para se referir a pessoas homossexuais, bissexuais, transexuais e outras identidades de gênero e orientações sexuais têm sido abandonadas em favor de termos respeitosos que reconhecem a diversidade humana.

Povos indígenas

Expressões como “programa de índio” (para algo desorganizado ou sem graça) ou “índio” (para alguém considerado ignorante) reforçam estereótipos negativos sobre os povos originários e têm sido cada vez mais criticadas e abandonadas.

Por que abandonar esses termos?

Algumas pessoas questionam a necessidade de abandonar certas palavras ou expressões, argumentando que “sempre foi assim” ou que “não há intenção de ofender”. No entanto, é importante compreender que:

  1. A intenção não elimina o impacto: Mesmo sem intenção de ofender, o uso de termos preconceituosos pode causar dor e reforçar estigmas.
  2. A língua evolui: Assim como não falamos mais como no século XIX, é natural que expressões preconceituosas sejam substituídas por alternativas mais respeitosas.
  3. Respeito e empatia: Abandonar termos ofensivos é um exercício de empatia e respeito com grupos historicamente marginalizados.
  4. Responsabilidade social: Ao modificar nossa linguagem, contribuímos para uma sociedade mais justa e igualitária.

Como ressalta a doutora em linguística Jorcemara Cardoso, “não basta apenas deixar de falar certas palavras ou substituí-las por outras, é preciso compreender porque devemos parar de utilizar a língua como instrumento de dominação”.

A resistência à mudança

É comum encontrar resistência quando se propõe o abandono de termos arraigados no vocabulário cotidiano. Essa resistência pode vir de diferentes lugares:

  1. Desconhecimento: Muitas pessoas simplesmente desconhecem a origem preconceituosa de certas expressões.
  2. Apego à tradição: A ideia de que “sempre foi assim” pode dificultar a aceitação de mudanças.
  3. Negação do preconceito: Algumas pessoas negam que determinadas expressões sejam realmente preconceituosas.
  4. Confusão com “censura”: Há quem interprete a proposta de abandono de termos preconceituosos como uma forma de censura ou limitação da liberdade de expressão.

No entanto, como explica Gabriel Nascimento, “não é a palavra que é racista, eu preciso pensar o contexto em que ela é colocada e, historicamente, como ela foi construída”. Compreender esse contexto histórico e social é fundamental para entender por que certas expressões devem ser evitadas.

Como promover uma linguagem mais inclusiva

Promover uma linguagem mais inclusiva e respeitosa é um processo contínuo que envolve:

  1. Educação e conscientização: Informar-se sobre a origem e o impacto de termos preconceituosos.
  2. Escuta ativa: Ouvir as pessoas dos grupos afetados quando elas apontam que determinados termos são ofensivos.
  3. Abertura para mudar: Estar disposto a modificar hábitos linguísticos arraigados.
  4. Compartilhamento de conhecimento: Compartilhar de forma respeitosa informações sobre termos preconceituosos com outras pessoas.
  5. Paciência e compreensão: Entender que a mudança é um processo e que todos podemos cometer erros durante o aprendizado.

Conclusão

A evolução da linguagem para formas mais inclusivas e respeitosas reflete o amadurecimento da sociedade e sua capacidade de reconhecer e corrigir injustiças históricas. Abandonar termos preconceituosos não é apenas uma questão de “politicamente correto”, mas um exercício de cidadania e respeito à dignidade humana.

Como afirma Cardoso, “a língua pode ser usada como instrumento de dominação”, mas também pode ser um poderoso instrumento de transformação social. Ao escolhermos conscientemente as palavras que utilizamos, contribuímos para a construção de uma sociedade mais justa, igualitária e respeitosa com todas as pessoas, independentemente de sua raça, gênero, orientação sexual, deficiência ou qualquer outra característica.

A língua, assim como a sociedade, aprende e evolui. E nesse processo de aprendizado coletivo, algumas palavras ficam para trás, não por censura ou imposição, mas por uma escolha consciente baseada em respeito, empatia e reconhecimento da dignidade inerente a todos os seres humanos.

Atividade: Refletindo sobre a Evolução da Linguagem

Após a leitura do artigo “Palavras que Não Queremos Mais Usar: Quando a Língua Aprende com a Sociedade”, vamos exercitar nosso conhecimento e reflexão sobre o tema. Esta atividade tem como objetivo promover a consciência linguística e o uso de uma comunicação mais inclusiva e respeitosa.

Parte 1: Identificação e Substituição

Nas frases abaixo, identifique os termos ou expressões preconceituosas e sugira alternativas mais respeitosas:

  1. “A reunião de ontem foi um programa de índio, totalmente desorganizada.”
  2. “Precisamos esclarecer essa situação antes que os rumores se espalhem.”
  3. “João trabalhou tanto que parecia um dia de branco para ele.”
  4. “Maria entrou na lista negra da empresa depois daquele incidente.”
  5. “O chefe denegriu a imagem do funcionário na frente de todos.”
  6. “A coisa tá preta para o time depois de três derrotas consecutivas.”
  7. “Vamos disputar a negra para decidir quem é o campeão do torneio.”
  8. “Aquela mulata é a dançarina principal do espetáculo.”
  9. “Ele tem um cabelo ruim que precisa de muito tratamento.”
  10. “Mesmo sendo cego, ele consegue se virar muito bem sozinho.”

Parte 2: Análise e Reflexão

Responda às seguintes questões com base no artigo e em suas reflexões:

  1. Por que é importante abandonar termos preconceituosos, mesmo quando “não há intenção de ofender”?
  2. Explique como a evolução da linguagem reflete mudanças na sociedade. Cite um exemplo específico mencionado no artigo.
  3. Quais são os principais argumentos utilizados por pessoas que resistem a abandonar termos preconceituosos? Como você responderia a esses argumentos?
  4. De que forma o contexto histórico influencia na percepção de certas palavras como preconceituosas?
  5. Além dos exemplos citados no artigo, você conhece outros termos ou expressões que têm caído em desuso por serem considerados preconceituosos? Explique.

Parte 3: Situações Práticas

Analise as situações abaixo e sugira como você agiria:

  1. Durante uma reunião de trabalho, um colega usa repetidamente a expressão “a coisa tá preta” para se referir a problemas. Como você poderia abordar essa questão de forma educativa e respeitosa?
  2. Você está revisando um texto que contém várias expressões consideradas preconceituosas. Quais passos você seguiria para tornar o texto mais inclusivo e respeitoso?
  3. Em uma conversa familiar, seu avô de 80 anos utiliza termos que hoje são considerados preconceituosos, mas que eram comuns em sua época. Como você lidaria com essa situação?

Parte 4: Criação e Conscientização

  1. Crie um pequeno texto (máximo 5 linhas) sobre a importância da linguagem inclusiva no ambiente escolar ou de trabalho.
  2. Imagine que você precisa explicar para uma criança de 10 anos por que não devemos usar certas palavras ou expressões. Como você faria isso de forma simples e educativa?
  3. Sugira uma campanha ou atividade que poderia ser implementada em escolas para promover o uso de linguagem inclusiva e respeitosa.

Lembre-se: O objetivo desta atividade não é julgar ou condenar, mas promover reflexão e conscientização sobre o impacto das palavras que usamos. A evolução da linguagem é um processo contínuo que reflete nosso crescimento como sociedade.

Gabarito

Parte 1: Identificação e Substituição

  1. “A reunião de ontem foi um programa de índio, totalmente desorganizada.”
    • Termo preconceituoso: “programa de índio”
    • Alternativa: “A reunião de ontem foi totalmente desorganizada.”
  2. “Precisamos esclarecer essa situação antes que os rumores se espalhem.”
    • Termo preconceituoso: “esclarecer”
    • Alternativa: “Precisamos elucidar/explicar essa situação antes que os rumores se espalhem.”
  3. “João trabalhou tanto que parecia um dia de branco para ele.”
    • Termo preconceituoso: “dia de branco”
    • Alternativa: “João trabalhou muito hoje” ou “João teve um dia de trabalho intenso.”
  4. “Maria entrou na lista negra da empresa depois daquele incidente.”
    • Termo preconceituoso: “lista negra”
    • Alternativa: “Maria entrou na lista de restrições/exclusões da empresa depois daquele incidente.”
  5. “O chefe denegriu a imagem do funcionário na frente de todos.”
    • Termo preconceituoso: “denegriu”
    • Alternativa: “O chefe difamou/caluniou a imagem do funcionário na frente de todos.”
  6. “A coisa tá preta para o time depois de três derrotas consecutivas.”
    • Termo preconceituoso: “a coisa tá preta”
    • Alternativa: “A situação está difícil/complicada para o time depois de três derrotas consecutivas.”
  7. “Vamos disputar a negra para decidir quem é o campeão do torneio.”
    • Termo preconceituoso: “disputar a negra”
    • Alternativa: “Vamos disputar a partida de desempate para decidir quem é o campeão do torneio.”
  8. “Aquela mulata é a dançarina principal do espetáculo.”
    • Termo preconceituoso: “mulata”
    • Alternativa: “Aquela dançarina negra/parda é a principal do espetáculo.” (conforme autodeclaração)
  9. “Ele tem um cabelo ruim que precisa de muito tratamento.”
    • Termo preconceituoso: “cabelo ruim”
    • Alternativa: “Ele tem cabelo crespo/cacheado que precisa de tratamento específico.”
  10. “Mesmo sendo cego, ele consegue se virar muito bem sozinho.”
    • Abordagem inadequada: Foco na deficiência como limitação surpreendente
    • Alternativa: “Ele é uma pessoa com deficiência visual e é muito independente.”

Parte 2: Análise e Reflexão

  1. Por que é importante abandonar termos preconceituosos, mesmo quando “não há intenção de ofender”?

Resposta sugerida: É importante abandonar termos preconceituosos, mesmo sem intenção de ofender, porque o impacto das palavras vai além da intenção de quem as utiliza. Termos preconceituosos carregam uma carga histórica de opressão e discriminação que afeta negativamente grupos marginalizados, reforçando estereótipos e perpetuando desigualdades. Como mencionado no artigo, “a intenção não elimina o impacto” – mesmo sem querer ofender, o uso de termos preconceituosos pode causar dor e reforçar estigmas. Além disso, ao modificarmos nossa linguagem, contribuímos ativamente para uma sociedade mais justa e igualitária, demonstrando respeito e empatia com todos os grupos sociais.

  1. Explique como a evolução da linguagem reflete mudanças na sociedade. Cite um exemplo específico mencionado no artigo.

Resposta sugerida: A evolução da linguagem reflete mudanças nos valores, na consciência social e no reconhecimento de direitos e dignidade de grupos historicamente marginalizados. À medida que a sociedade avança em termos de inclusão, igualdade e respeito à diversidade, a linguagem se adapta para refletir esses novos valores. Um exemplo específico mencionado no artigo é a mudança na forma de se referir às pessoas com deficiência. Termos como “retardado”, “mongoloide”, “aleijado” ou “defeituoso” foram substituídos por expressões que reconhecem a dignidade e humanidade dessas pessoas. Até mesmo a expressão “portador de deficiência” caiu em desuso, sendo substituída por “pessoa com deficiência”, colocando a pessoa antes da condição, o que demonstra uma evolução na percepção social sobre deficiência, priorizando a humanidade sobre a condição.

  1. Quais são os principais argumentos utilizados por pessoas que resistem a abandonar termos preconceituosos? Como você responderia a esses argumentos?

Resposta sugerida: Os principais argumentos utilizados por pessoas que resistem a abandonar termos preconceituosos incluem: desconhecimento da origem preconceituosa das expressões; apego à tradição e à ideia de que “sempre foi assim”; negação de que os termos sejam realmente preconceituosos; e confusão com censura ou limitação da liberdade de expressão.

Para responder a esses argumentos, poderia explicar que:

  • O desconhecimento não justifica a perpetuação do preconceito, e agora que temos informação, podemos fazer escolhas mais conscientes.
  • Tradições nem sempre são positivas e a sociedade evolui constantemente; assim como não falamos mais como no século XIX, é natural que expressões preconceituosas sejam substituídas.
  • A percepção de preconceito deve ser considerada principalmente a partir da perspectiva dos grupos afetados, não de quem usa os termos.
  • Não se trata de censura, mas de uma escolha consciente baseada em respeito e empatia; a liberdade de expressão vem acompanhada de responsabilidade social.
  1. De que forma o contexto histórico influencia na percepção de certas palavras como preconceituosas?

Resposta sugerida: O contexto histórico é fundamental para compreender por que certas palavras são consideradas preconceituosas. Muitas expressões têm suas raízes em períodos de opressão, como a escravidão, o colonialismo ou regimes discriminatórios. Esse passado histórico carrega uma carga de violência, desumanização e discriminação que permanece associada às palavras, mesmo quando usadas em contextos contemporâneos.

Como exemplificado no artigo, expressões como “dia de branco” ou “disputar a negra” têm origem no período escravocrata brasileiro e refletem relações de poder e opressão daquela época. Compreender esse contexto histórico nos ajuda a entender por que essas expressões são ofensivas e devem ser abandonadas.

Além disso, como mencionou Gabriel Nascimento, “não é a palavra que é racista, eu preciso pensar o contexto em que ela é colocada e, historicamente, como ela foi construída”. Essa construção histórica determina o peso e o significado social que as palavras carregam hoje.

  1. Além dos exemplos citados no artigo, você conhece outros termos ou expressões que têm caído em desuso por serem considerados preconceituosos? Explique.

Resposta sugerida: (Esta é uma questão aberta que depende da experiência e conhecimento individual do aluno. Abaixo estão alguns exemplos possíveis que poderiam ser mencionados)

Alguns exemplos adicionais incluem:

  • “Judiação” (para se referir a maus-tratos): Termo com origem antissemita que associa o povo judeu a atos de crueldade.
  • “Tem um pé na cozinha” (para se referir a pessoas com ancestralidade negra): Expressão que remete ao período escravocrata, quando pessoas negras trabalhavam principalmente em serviços domésticos.
  • “Serviço de preto” (para trabalho mal feito): Expressão racista que associa pessoas negras a trabalhos de baixa qualidade.
  • “Dar uma de João sem braço” (fingir não saber de algo): Expressão capacitista que usa a deficiência física como metáfora negativa.
  • “Traveco” (para se referir a pessoas transgênero): Termo pejorativo substituído por “pessoa transgênero” ou “mulher/homem trans”.

Parte 3: Situações Práticas

  1. Durante uma reunião de trabalho, um colega usa repetidamente a expressão “a coisa tá preta” para se referir a problemas. Como você poderia abordar essa questão de forma educativa e respeitosa?

Resposta sugerida: Uma abordagem educativa e respeitosa seria:

  • Esperar um momento oportuno para conversar em particular com o colega, evitando constrangê-lo publicamente.
  • Iniciar a conversa de forma amigável, reconhecendo que provavelmente não havia intenção de ofender: “Notei que você usou algumas vezes a expressão ‘a coisa tá preta’ na reunião. Sei que é uma expressão comum, mas gostaria de compartilhar algo sobre ela.”
  • Explicar brevemente a origem e o problema com a expressão: “Essa expressão associa a cor preta a algo negativo, o que pode reforçar inconscientemente preconceitos raciais.”
  • Sugerir alternativas: “Existem outras formas de expressar a mesma ideia, como ‘a situação está complicada’ ou ‘estamos enfrentando dificuldades’.”
  • Agradecer pela escuta e mostrar-se aberto ao diálogo: “Obrigado por me ouvir. Estou sempre aprendendo também e acho importante refletirmos juntos sobre como nossa linguagem pode ser mais inclusiva.”
  1. Você está revisando um texto que contém várias expressões consideradas preconceituosas. Quais passos você seguiria para tornar o texto mais inclusivo e respeitoso?

Resposta sugerida:

  • Identificar todas as expressões potencialmente preconceituosas no texto.
  • Pesquisar sobre cada expressão para entender sua origem, contexto histórico e por que é considerada problemática.
  • Consultar guias e glossários de linguagem inclusiva, como o mencionado no artigo (cartilha do TSE, glossário da LBCA).
  • Substituir as expressões por alternativas mais inclusivas e respeitosas, mantendo o sentido original do texto.
  • Se possível, consultar pessoas dos grupos afetados para garantir que as substituições são adequadas.
  • Revisar o texto completo para garantir coerência e fluidez após as alterações.
  • Compartilhar com o autor original as mudanças feitas e explicar as razões, como forma de conscientização.
  1. Em uma conversa familiar, seu avô de 80 anos utiliza termos que hoje são considerados preconceituosos, mas que eram comuns em sua época. Como você lidaria com essa situação?

Resposta sugerida:

  • Escolher um momento adequado para uma conversa privada e tranquila.
  • Abordar o assunto com respeito e compreensão, reconhecendo que seu avô cresceu em um contexto histórico e social diferente.
  • Explicar gentilmente como a linguagem evoluiu e por que certos termos não são mais considerados apropriados hoje.
  • Usar exemplos concretos de como certas palavras podem ferir pessoas, apelando para a empatia.
  • Sugerir alternativas mais respeitosas para os termos utilizados.
  • Ser paciente e entender que mudanças de hábitos linguísticos arraigados por décadas podem levar tempo.
  • Reforçar positivamente quando ele fizer esforços para usar uma linguagem mais inclusiva.
  • Evitar tom acusatório ou de julgamento, focando na educação e no diálogo construtivo.

Parte 4: Criação e Conscientização

  1. Crie um pequeno texto (máximo 5 linhas) sobre a importância da linguagem inclusiva no ambiente escolar ou de trabalho.

Resposta sugerida: (Exemplo – as respostas dos alunos variarão)

“A linguagem inclusiva no ambiente escolar/de trabalho cria um espaço de respeito mútuo onde todos se sentem valorizados e acolhidos. Ao abandonarmos termos preconceituosos, reconhecemos a dignidade de cada pessoa e contribuímos para um clima de colaboração e pertencimento. Essa prática não apenas previne conflitos e mal-entendidos, mas também promove a diversidade de ideias e perspectivas, essencial para a inovação e o crescimento coletivo.”

  1. Imagine que você precisa explicar para uma criança de 10 anos por que não devemos usar certas palavras ou expressões. Como você faria isso de forma simples e educativa?

Resposta sugerida: (Exemplo – as respostas dos alunos variarão)

Para explicar a uma criança de 10 anos, eu poderia usar uma abordagem simples e concreta:

“Você já se sentiu triste quando alguém usou um apelido que você não gostava? Algumas palavras podem fazer as pessoas se sentirem assim – tristes, magoadas ou excluídas. Ao longo do tempo, aprendemos que certas palavras ou expressões podem machucar os sentimentos de grupos inteiros de pessoas, porque lembram momentos em que elas foram tratadas injustamente. É como se essas palavras carregassem uma ‘memória’ de coisas ruins que aconteceram. Por isso, quando aprendemos que uma palavra pode machucar alguém, é legal procurarmos outras formas de dizer a mesma coisa. Assim, mostramos respeito e cuidado com todos à nossa volta. É como aprender novas regras em um jogo – no começo pode parecer difícil, mas logo se torna natural e torna o jogo mais divertido para todos!”

  1. Sugira uma campanha ou atividade que poderia ser implementada em escolas para promover o uso de linguagem inclusiva e respeitosa.

Resposta sugerida: (Exemplo – as respostas dos alunos variarão)

Campanha “Palavras que Transformam”

A campanha incluiria as seguintes atividades:

  1. Oficinas de Sensibilização: Encontros semanais onde os alunos aprenderiam sobre a história e o impacto de expressões preconceituosas, com convidados de diferentes grupos sociais compartilhando suas experiências.
  2. Mural Interativo: Um espaço na escola onde os alunos poderiam escrever expressões preconceituosas e suas alternativas inclusivas, criando um “dicionário coletivo” de linguagem respeitosa.
  3. Desafio da Linguagem Inclusiva: Durante um mês, turmas competiriam amigavelmente para identificar e substituir expressões preconceituosas em textos, músicas e conversas cotidianas.
  4. Produção de Material Educativo: Os alunos criariam cartilhas, vídeos ou podcasts sobre linguagem inclusiva para compartilhar com outras escolas e com a comunidade.
  5. Dia da Reflexão Linguística: Um dia dedicado a atividades artísticas e culturais que exploram o poder das palavras, com apresentações teatrais, saraus poéticos e rodas de conversa.

A campanha envolveria toda a comunidade escolar – alunos, professores, funcionários e famílias – promovendo uma cultura de respeito que se estenderia além dos muros da escola.

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Parônimos: Palavras Parecidas, Significados Diferentes https://portuguesando.com.br/paronimos-palavras-parecidas-significados-diferentes/ Tue, 20 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=797 A língua portuguesa é repleta de sutilezas e particularidades que podem confundir até mesmo os falantes mais experientes. Entre essas peculiaridades, encontramos os parônimos, palavras que frequentemente causam dúvidas e são responsáveis por diversos equívocos na comunicação escrita e falada. Neste artigo, vamos explorar o que são os parônimos, como identificá-los e como utilizá-los corretamente em nosso dia a dia.

O que são parônimos?

Parônimos são palavras que apresentam grafia e pronúncia semelhantes, porém possuem significados completamente diferentes. Essa semelhança na forma como são escritas e pronunciadas é justamente o que causa confusão entre os falantes da língua portuguesa, levando a erros comuns tanto na escrita quanto na fala.

De acordo com o site Brasil Escola, “palavras parônimas são pares de palavras quase homônimas, com pouca diferença no som e na grafia”. Essa definição nos ajuda a compreender que os parônimos são palavras que, apesar de parecerem muito com outras, carregam sentidos distintos e são utilizadas em contextos específicos.

É importante não confundir parônimos com homônimos. Enquanto os parônimos são palavras semelhantes na grafia e na pronúncia, os homônimos são palavras que têm pronúncia e/ou grafia idênticas, mas significados diferentes. Os homônimos ainda se dividem em homógrafos (mesma grafia, pronúncia diferente), homófonos (mesma pronúncia, grafia diferente) e homônimos perfeitos (mesma grafia e pronúncia).

Exemplos comuns de parônimos

Para compreender melhor o conceito de parônimos, vamos analisar alguns exemplos comuns que frequentemente causam confusão:

Comprimento e Cumprimento

  • Comprimento: refere-se à medida de algo de uma extremidade à outra. Exemplo: O comprimento da sala é de 5 metros.
  • Cumprimento: ato de cumprimentar alguém ou de cumprir algo. Exemplo: Ele fez um cumprimento formal ao chegar à reunião.

Descrição e Discrição

  • Descrição: ato de descrever algo ou alguém. Exemplo: A descrição do suspeito ajudou a polícia a identificá-lo.
  • Discrição: qualidade de quem é discreto, reservado. Exemplo: Ele agiu com discrição ao tratar do assunto delicado.

Eminente e Iminente

  • Eminente: aquilo que se destaca, que é ilustre ou importante. Exemplo: O eminente professor recebeu um prêmio por sua contribuição à ciência.
  • Iminente: algo que está prestes a acontecer. Exemplo: O desabamento do prédio era iminente devido às rachaduras na estrutura.

Inflação e Infração

  • Inflação: aumento generalizado de preços. Exemplo: A inflação deste mês superou as expectativas dos economistas.
  • Infração: violação de uma lei ou regra. Exemplo: O motorista cometeu uma infração ao ultrapassar o sinal vermelho.

Absolver e Absorver

  • Absolver: perdoar, inocentar. Exemplo: O juiz decidiu absolver o réu por falta de provas.
  • Absorver: aspirar, sorver. Exemplo: O papel toalha consegue absorver o líquido derramado.

Cavaleiro e Cavalheiro

  • Cavaleiro: pessoa que monta a cavalo ou que pertencia a uma ordem militar na Idade Média. Exemplo: O cavaleiro participou do torneio de equitação.
  • Cavalheiro: homem gentil, educado. Exemplo: Ele se comportou como um verdadeiro cavalheiro durante o jantar.

Tráfego e Tráfico

  • Tráfego: movimento de veículos, trânsito. Exemplo: O tráfego na avenida principal está congestionado neste horário.
  • Tráfico: comércio ilegal. Exemplo: As autoridades combatem o tráfico de drogas na região.

A importância de conhecer os parônimos

Conhecer e saber utilizar corretamente os parônimos é fundamental para uma comunicação clara e eficaz. O uso inadequado dessas palavras pode gerar ambiguidades, mal-entendidos e até mesmo alterar completamente o sentido de uma mensagem.

No ambiente acadêmico e profissional, o domínio dos parônimos é ainda mais relevante, pois demonstra conhecimento linguístico e cuidado com a precisão da comunicação. Em redações, relatórios, e-mails e outros documentos formais, o uso correto dessas palavras contribui para a qualidade do texto e para a credibilidade do autor.

Além disso, em concursos públicos, vestibulares e outras avaliações, questões sobre parônimos são frequentes, testando a capacidade do candidato de distinguir palavras semelhantes e aplicá-las adequadamente em diferentes contextos.

Como evitar confusões com parônimos

Para evitar confusões no uso de parônimos, algumas estratégias podem ser úteis:

  1. Consulte o dicionário: em caso de dúvida, sempre verifique o significado exato de cada palavra no dicionário.
  2. Contextualize: analise o contexto em que a palavra será utilizada para determinar qual parônimo é o mais adequado.
  3. Pratique a leitura: quanto mais você lê, mais familiarizado fica com o uso correto das palavras.
  4. Faça exercícios específicos: resolver questões sobre parônimos ajuda a fixar as diferenças entre as palavras.
  5. Crie associações: relacione cada parônimo a uma situação ou frase específica para lembrar mais facilmente do seu significado.

Conclusão

Os parônimos representam um aspecto fascinante e desafiador da língua portuguesa. Compreender suas diferenças e saber utilizá-los corretamente é essencial para uma comunicação precisa e eficaz. Ao dominar o uso dos parônimos, você enriquece seu vocabulário e aprimora sua capacidade de expressão, evitando equívocos que podem comprometer a clareza de suas mensagens.

Lembre-se de que o estudo da língua é um processo contínuo, e a prática regular é a melhor forma de consolidar o conhecimento sobre parônimos e outras particularidades do português.

Atividade: Teste seus conhecimentos sobre parônimos

Agora que você já conhece o que são parônimos e como utilizá-los corretamente, vamos praticar com alguns exercícios. Leia atentamente cada questão e escolha a alternativa que completa corretamente as frases com os parônimos adequados.

1. Complete as frases com os parônimos EMINENTE ou IMINENTE:

a) O palestrante __________ chegará em breve para a conferência. b) O acidente era __________ devido às más condições da estrada. c) Aquele professor é considerado uma autoridade __________ no assunto. d) O risco de enchente é __________ com as fortes chuvas previstas.

2. Escolha entre TRÁFEGO ou TRÁFICO:

a) O __________ de veículos aumenta consideravelmente nos horários de pico. b) As autoridades intensificaram o combate ao __________ de animais silvestres. c) O __________ na internet cresceu durante a pandemia. d) O __________ de influência é considerado crime em muitos países.

3. Preencha com DESCRIÇÃO ou DISCRIÇÃO:

a) A __________ detalhada do suspeito ajudou na investigação. b) Ele tratou do assunto com __________, sem chamar atenção. c) A __________ da paisagem no livro é belíssima. d) A situação exige __________ por parte de todos os envolvidos.

4. Complete com COMPRIMENTO ou CUMPRIMENTO:

a) O __________ do tecido não é suficiente para fazer a cortina. b) Ele fez um __________ formal ao entrar na sala. c) Qual é o __________ do rio Amazonas? d) O __________ das normas é obrigatório para todos os funcionários.

5. Escolha entre CAVALEIRO ou CAVALHEIRO:

a) O __________ ajudou a senhora a carregar as compras. b) O __________ participou da competição de hipismo. c) Todo __________ deve ceder seu lugar a uma pessoa idosa. d) O __________ medieval usava armadura nas batalhas.

6. Complete as frases com ABSOLVER ou ABSORVER:

a) O papel toalha consegue __________ o líquido derramado. b) O juiz decidiu __________ o réu por falta de provas. c) A pele pode __________ vitamina D através da exposição ao sol. d) A igreja pode __________ os pecados dos fiéis através da confissão.

7. Escolha entre INFLAÇÃO ou INFRAÇÃO:

a) A __________ do mês superou as expectativas dos economistas. b) O motorista cometeu uma __________ ao estacionar em local proibido. c) O controle da __________ é fundamental para a estabilidade econômica. d) A multa por __________ de trânsito aumentou significativamente.

8. Complete com EMIGRAR ou IMIGRAR:

a) Muitos brasileiros decidiram __________ para Portugal em busca de melhores condições de vida. b) Os refugiados tentam __________ para países da Europa. c) Meus avós decidiram __________ do Japão após a Segunda Guerra Mundial. d) É difícil __________ para outro país sem conhecer o idioma local.

9. Escolha entre RATIFICAR ou RETIFICAR:

a) O diretor precisou __________ o erro no relatório antes da publicação. b) O Brasil decidiu __________ o acordo internacional sobre mudanças climáticas. c) É necessário __________ as informações incorretas no cadastro. d) O presidente vai __________ sua posição durante a reunião de amanhã.

10. Complete com MANDADO ou MANDATO:

a) O juiz expediu um __________ de busca e apreensão. b) O __________ do presidente termina no próximo ano. c) O advogado recebeu um __________ judicial para representar seu cliente. d) O __________ parlamentar tem duração de quatro anos.

Gabarito

1. EMINENTE ou IMINENTE:

a) O palestrante eminente chegará em breve para a conferência. b) O acidente era iminente devido às más condições da estrada. c) Aquele professor é considerado uma autoridade eminente no assunto. d) O risco de enchente é iminente com as fortes chuvas previstas.

2. TRÁFEGO ou TRÁFICO:

a) O tráfego de veículos aumenta consideravelmente nos horários de pico. b) As autoridades intensificaram o combate ao tráfico de animais silvestres. c) O tráfego na internet cresceu durante a pandemia. d) O tráfico de influência é considerado crime em muitos países.

3. DESCRIÇÃO ou DISCRIÇÃO:

a) A descrição detalhada do suspeito ajudou na investigação. b) Ele tratou do assunto com discrição, sem chamar atenção. c) A descrição da paisagem no livro é belíssima. d) A situação exige discrição por parte de todos os envolvidos.

4. COMPRIMENTO ou CUMPRIMENTO:

a) O comprimento do tecido não é suficiente para fazer a cortina. b) Ele fez um cumprimento formal ao entrar na sala. c) Qual é o comprimento do rio Amazonas? d) O cumprimento das normas é obrigatório para todos os funcionários.

5. CAVALEIRO ou CAVALHEIRO:

a) O cavalheiro ajudou a senhora a carregar as compras. b) O cavaleiro participou da competição de hipismo. c) Todo cavalheiro deve ceder seu lugar a uma pessoa idosa. d) O cavaleiro medieval usava armadura nas batalhas.

6. ABSOLVER ou ABSORVER:

a) O papel toalha consegue absorver o líquido derramado. b) O juiz decidiu absolver o réu por falta de provas. c) A pele pode absorver vitamina D através da exposição ao sol. d) A igreja pode absolver os pecados dos fiéis através da confissão.

7. INFLAÇÃO ou INFRAÇÃO:

a) A inflação do mês superou as expectativas dos economistas. b) O motorista cometeu uma infração ao estacionar em local proibido. c) O controle da inflação é fundamental para a estabilidade econômica. d) A multa por infração de trânsito aumentou significativamente.

8. EMIGRAR ou IMIGRAR:

a) Muitos brasileiros decidiram emigrar para Portugal em busca de melhores condições de vida. b) Os refugiados tentam imigrar para países da Europa. c) Meus avós decidiram emigrar do Japão após a Segunda Guerra Mundial. d) É difícil imigrar para outro país sem conhecer o idioma local.

9. RATIFICAR ou RETIFICAR:

a) O diretor precisou retificar o erro no relatório antes da publicação. b) O Brasil decidiu ratificar o acordo internacional sobre mudanças climáticas. c) É necessário retificar as informações incorretas no cadastro. d) O presidente vai ratificar sua posição durante a reunião de amanhã.

10. MANDADO ou MANDATO:

a) O juiz expediu um mandado de busca e apreensão. b) O mandato do presidente termina no próximo ano. c) O advogado recebeu um mandado judicial para representar seu cliente. d) O mandato parlamentar tem duração de quatro anos.

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A linguagem digital: um retrato da oralidade escrita https://portuguesando.com.br/a-linguagem-digital-um-retrato-da-oralidade-escrita/ Sat, 10 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=767 Com a popularização das redes sociais, as interações digitais passaram a simular a fala informal. Isso fez com que muitas expressões típicas da oralidade ganhassem nova vida na forma escrita — às vezes com grafias criativas, abreviações e até estrangeirismos. É nesse contexto que surgem as gírias da internet.


Exemplos populares de gírias digitais:

  1. Cringe – Vergonhoso, cafona, algo que causa constrangimento.
    • Exemplo: “Usar calça skinny agora é tão cringe.”
  2. Flopar – Fracassar, não ter sucesso.
    • Exemplo: “O post da marca flopou e quase ninguém curtiu.”
  3. TBT (Throwback Thursday) – Publicação de lembrança às quintas-feiras.
    • Exemplo: “Hoje é dia de TBT da viagem!”
  4. Shippar – Torcer por um casal fictício ou real.
    • Exemplo: “Eu shippo muito esses dois personagens.”
  5. Stalkear – Vasculhar as redes sociais de alguém.
    • Exemplo: “Fui stalkear o perfil do novo colega de trabalho.”
  6. Lacrar – Arrasar, mandar bem, causar impacto.
    • Exemplo: “Ela lacrou no discurso de formatura.”
  7. Cancelado – Alguém que sofreu rejeição pública por comportamento considerado inadequado.
    • Exemplo: “O ator foi cancelado após declarações polêmicas.”

O que essas gírias nos mostram?

Essas expressões revelam:

  • A influência de outras línguas, especialmente o inglês.
  • A criatividade linguística nas redes sociais.
  • A fluidez entre oralidade e escrita.
  • O surgimento de novas normas dentro de grupos sociais específicos.

Embora sejam informais, essas gírias mostram a vitalidade do idioma e a forma como ele acompanha mudanças culturais, tecnológicas e comportamentais.


Atividade: Complete as frases com a gíria da internet mais apropriada

  1. O vídeo promocional não teve visualizações e acabou ________.
  2. Toda quinta-feira, ela posta uma foto antiga com a hashtag ________.
  3. A nova série é tão boa que já comecei a ________ o casal principal.
  4. Ele foi ________ por causa dos comentários ofensivos nas redes.
  5. Fui ________ o Instagram da professora e vi que ela ama gatos.
  6. O discurso foi tão bom que ela ________ e todos aplaudiram de pé.
  7. Acham que usar emojis demais é ________?

Gabarito comentado:

  1. flopando – Expressa fracasso, ausência de repercussão.
  2. TBT – Hashtag popular de lembranças, usada às quintas-feiras.
  3. shippando – Gíria para torcer por um casal.
  4. cancelado – Refere-se à rejeição pública ou boicote.
  5. stalkeando – Ação de investigar alguém nas redes sociais.
  6. lacrou – Usada para descrever uma performance impactante.
  7. cringe – Refere-se a algo considerado brega ou constrangedor.

A presença das gírias da internet no nosso vocabulário diário é um sinal da evolução natural da língua. Ao reconhecê-las e entender seus usos, nos aproximamos das transformações culturais do nosso tempo — e também aprendemos a valorizar a diversidade linguística do português.

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10 Erros de Português que Você Vê Todo Dia (E Nem Sempre Percebe) https://portuguesando.com.br/10-erros-de-portugues-que-voce-ve-todo-dia-e-nem-sempre-percebe/ Mon, 05 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=744 Você já deve ter escutado ou até mesmo escrito frases como “fazem dez anos”, “menas coisas” ou “há dez anos atrás”. A língua portuguesa, com sua riqueza e complexidade, é repleta de armadilhas que passam despercebidas até pelos mais atentos.

Neste artigo, vamos revelar 10 erros de português que estão por toda parte — nas redes sociais, em conversas informais, e até em conteúdos profissionais — e mostrar como evitá-los de forma leve, clara e sem complicações. Afinal, escrever (e falar) bem não precisa ser um tormento, mas pode ser um prazer!


1. “Fazem dez anos” ❌

Erro comum:

“Fazem dez anos que não nos vemos.”

Forma correta:

“Faz dez anos que não nos vemos.”

📝 O verbo fazer, quando indica tempo decorrido, é impessoal e deve sempre ficar no singular.


2. “Menas” ❌

Erro comum:

“Ela tem menas chances de passar.”

Forma correta:

“Ela tem menos chances de passar.”

📝 A palavra menas simplesmente não existe na norma culta da língua. Menos é invariável: serve para masculino, feminino, singular e plural.


3. “Com certeza absoluta” ❌

Erro comum:

“Eu tenho certeza absoluta que ele vai vencer!”

Forma correta:

“Eu tenho certeza absoluta de que ele vai vencer!”

📝 A expressão “certeza de que” é exigida. O “de” é fundamental nesse caso.


4. “A gente vamos” ❌

Erro comum:

“A gente vamos resolver isso amanhã.”

Forma correta:

“A gente vai resolver isso amanhã.”

📝 “A gente” é uma expressão equivalente a nós, mas o verbo fica no singular, pois a construção é considerada singular na norma padrão.


5. “Seje” e “Esteja” usados incorretamente ❌

Erro comum:

“Espero que você seje feliz.”

Forma correta:

“Espero que você seja feliz.”

📝 O verbo ser no presente do subjuntivo é:

  • Eu seja
  • Tu sejas
  • Ele seja
  • Nós sejamos
  • Vós sejais
  • Eles sejam

Não existe “seje” ou “esteje”!


6. “Onde” usado para tempo ou abstrações ❌

Erro comum:

“Na época onde tudo era mais simples…”

Forma correta:

“Na época em que tudo era mais simples…”

📝 A palavra “onde” deve ser usada apenas para indicar lugar físico. Se for tempo ou situações abstratas, use “em que”.


7. “Há … atrás” ❌

Erro comum:

“Isso aconteceu há dois anos atrás.”

Forma correta:

“Isso aconteceu há dois anos.”

📝 Redundância! O verbo “há” (no sentido de tempo decorrido) já indica passado, então não é necessário (nem correto) acrescentar “atrás”.


8. “Ao meu ver” ❌

Erro comum:

“Ao meu ver, a decisão foi precipitada.”

Forma correta:

A meu ver, a decisão foi precipitada.”

📝 A preposição “a” não se contrai com o pronome possessivo “meu”. Logo, o correto é a meu ver.


9. Uso errado de “mal” e “mau” ❌

Erro comum:

“Ele estava muito mau ontem.”

Forma correta:

“Ele estava muito mal ontem.”

📝 Mal é o oposto de bem.
Mau é o oposto de bom.
Dica: se puder trocar por “bem”, use “mal”.


10. Plural de palavras compostas ❌

Erro comum:

“Os guarda-chuvas estão na sala.”

Forma correta:

“Os guardas-chuva estão na sala.”

📝 Em compostos como guarda-chuva, guarda funciona como verbo e chuva como objeto direto. Assim, apenas o segundo termo permanece invariável.

Outros exemplos:

  • Guarda-roupa → os guarda-roupas
  • Couve-flor → as couves-flores
  • Beija-flor → os beija-flores

✅ DICA BÔNUS: Leia, observe e revise

O melhor caminho para evitar esses deslizes é manter uma leitura constante e revisar seus textos com atenção. Além disso, permita-se errar — e aprender com os erros. O importante é evoluir e se expressar com mais clareza e confiança.


✍ Atividade Interativa: Corrija os Erros!

Leia as frases abaixo e identifique qual erro está presente em cada uma. Depois, reescreva-as corretamente.

  1. A gente vamos na feira amanhã.
  2. Fazem três meses que ela viajou.
  3. Naquele tempo onde tudo era mais simples…
  4. Ele estava mau ontem.
  5. Isso aconteceu há cinco anos atrás.

📘 Gabarito Explicativo

  1. Erro: Verbo no plural com “a gente”.
    ✔ Correto: A gente vai na feira amanhã.
  2. Erro: Verbo “fazer” impessoal usado no plural.
    ✔ Correto: Faz três meses que ela viajou.
  3. Erro: Uso incorreto de “onde” para tempo.
    ✔ Correto: Naquele tempo em que tudo era mais simples…
  4. Erro: Uso de “mau” em vez de “mal”.
    ✔ Correto: Ele estava mal ontem.
  5. Erro: Redundância “há … atrás”.
    ✔ Correto: Isso aconteceu há cinco anos.

💬 E aí, quantos desses erros você já viu — ou até cometeu?

Se você gostou deste conteúdo, compartilhe com seus amigos, professores ou colegas de trabalho! Vamos espalhar o bom uso da nossa língua de forma leve, divertida e sem julgamentos. ✨

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🕰️ Palavras que Mudaram de Sentido com o Tempo: A Viagem Curiosa da Linguagem https://portuguesando.com.br/%f0%9f%95%b0%ef%b8%8f-palavras-que-mudaram-de-sentido-com-o-tempo-a-viagem-curiosa-da-linguagem/ Sun, 04 May 2025 11:41:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=736 Você já parou para pensar que nem todas as palavras significaram sempre o que significam hoje? Que o que hoje pode ser um elogio, no passado foi uma ofensa — ou vice-versa? A língua portuguesa é viva, pulsante, e caminha com a sociedade, se transformando à medida que o mundo muda.

Neste artigo, você vai descobrir palavras que mudaram completamente de significado ao longo da história e entender como as mudanças culturais, sociais e históricas influenciam diretamente o uso e o sentido das palavras.

Prepare-se para se surpreender — e nunca mais olhar para certas palavras da mesma forma!


1. Por que as palavras mudam de sentido?

As palavras são como organismos vivos: nascem, crescem, se adaptam e, às vezes, morrem. Isso acontece por diversos motivos:

  • Mudanças culturais: o que antes era comum, hoje pode ser considerado ofensivo.
  • Tecnologia e ciência: novas realidades exigem novos significados.
  • Figuras de linguagem: muitos sentidos figurados se tornam tão comuns que viram novos sentidos literais.
  • Economia linguística: encurtamentos e simplificações mudam o uso.

2. Exemplos curiosos e surpreendentes

📌 Garoto

Hoje: menino
Antigamente: escravo jovem

A palavra tem origem no quimbundo (língua africana), e no século XIX era usada para se referir a meninos escravizados. Com o tempo, o uso se generalizou e perdeu esse peso histórico.

📌 Campeão

Hoje: vencedor
Antes: lutador que representava alguém em duelos medievais.

O “campeão” era um combatente contratado para lutar em nome de outra pessoa.

📌 Infelizmente

Hoje: advérbio de modo para indicar algo ruim
Séculos atrás: significava sem nobreza, de “infeliz” no sentido de “não nobre”.

📌 Vilão

Hoje: antagonista de histórias, pessoa má
Antigamente: morador de vilas, alguém do campo — “vilão” era o contrário de “nobre”.

📌 Bizarro

Hoje: estranho, excêntrico
Em Portugal: bravo, corajoso

A confusão vem do francês bizarre, que significa estranho, e influenciou o uso moderno no Brasil.

📌 Respeitável

Hoje: digno de respeito
No século XIX: usava-se como eufemismo para “velho” ou “idoso”.

📌 Mancebo

Hoje: jovem, moço
Antes: amante, homem envolvido em um relacionamento extraconjugal.


3. O que isso revela sobre a sociedade?

Essas transformações revelam que a linguagem é um reflexo da cultura e dos valores da época. Ao estudar as palavras e sua trajetória, também estudamos a nós mesmos: nossos preconceitos, avanços, mudanças de visão e até modismos.

Palavras ganham e perdem poder. E o que antes era banal pode se tornar ofensivo, ou virar símbolo de resistência.


4. Atividade: Você consegue adivinhar o antigo significado?

Associe corretamente as palavras às suas definições originais.


A. Garoto

B. Vilão

C. Mancebo

D. Campeão

E. Bizarro

  1. Morador do campo, alguém que não era nobre
  2. Jovem escravo
  3. Corajoso, bravo (em português europeu)
  4. Amante, companheiro secreto
  5. Lutador que representava alguém em combate

✅ Gabarito Explicativo

A – 2. Garoto → Jovem escravo
🟢 A palavra tem origem africana e era usada no Brasil colonial para designar meninos escravizados.

B – 1. Vilão → Morador do campo
🟢 Do latim villanus, referia-se ao camponês — e não ao “vilão” das histórias. Só depois passou a ter conotação negativa.

C – 4. Mancebo → Amante
🟢 Apesar de hoje significar apenas “jovem”, o termo já foi usado com carga moral negativa.

D – 5. Campeão → Lutador em duelo medieval
🟢 Designava combatentes que defendiam reis ou senhores em disputas físicas.

E – 3. Bizarro → Corajoso (em Portugal)
🟢 O significado “estranho” é mais recente e veio da influência francesa.


✨ Conclusão

O estudo da etimologia e da transformação do vocabulário não é apenas interessante — ele é essencial para quem quer dominar a Língua Portuguesa com profundidade.

Saber que as palavras têm passado, histórias, contextos e reviravoltas nos torna leitores e escritores mais atentos, mais críticos e mais conscientes do poder da linguagem.

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A Crase Morreu? Mitos e Verdades sobre o Acento Grave Mais Temido do Português https://portuguesando.com.br/a-crase-morreu-mitos-e-verdades-sobre-o-acento-grave-mais-temido-do-portugues/ Fri, 02 May 2025 19:40:44 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=739

Será que a crase, esse acento grave (`) que frequentemente assombra estudantes e até mesmo escritores experientes, está realmente com os dias contados na língua portuguesa? É comum ouvirmos frases como “ninguém mais usa crase” ou “a crase vai acabar”, alimentando um mito sobre seu declínio. Mas será mesmo verdade? Esse pequeno sinal gráfico, muitas vezes percebido como um complexo desafio gramatical, carrega consigo uma importância fundamental para a clareza, a precisão e a correção do nosso idioma. Longe de ser um mero enfeite dispensável ou uma regra arcaica destinada ao esquecimento, a crase desempenha um papel lógico e essencial na estrutura de inúmeras frases que utilizamos no cotidiano. Neste artigo aprofundado, vamos desmistificar de vez a crase, explorar seus usos corretos (e os erros mais comuns!), entender as razões por trás do receio que ela inspira e, finalmente, responder à pergunta que persiste: a crase morreu ou continua sendo uma ferramenta vital e indispensável na comunicação escrita?

Desvendando o Mistério: O Que é a Crase, Afinal?

Antes de entrarmos em pânico ou de apressadamente decretarmos o fim da crase, é fundamental compreendermos o que ela realmente representa no sistema da língua portuguesa. Contrariando o senso comum, ‘crase’ não é o nome do acento gráfico em si (`) – este é chamado de acento grave. A crase, na verdade, é o nome que se dá ao fenômeno fonético e gramatical da fusão ou contração de duas vogais idênticas em sequência. No português padrão contemporâneo, a ocorrência mais célebre e relevante para a maioria das dúvidas é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou sua forma plural “as”). Adicionalmente, a crase pode ocorrer pela fusão da mesma preposição “a” com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”.

Para sinalizar visualmente na escrita que essa fusão ocorreu, empregamos o acento grave sobre a vogal “a”. Portanto, o “à” não deve ser visto como uma letra distinta ou um simples adorno estilístico; ele é a representação gráfica da união de “a + a”. Uma maneira prática de visualizar isso é pensar que, em vez de escrevermos uma sequência como “Vou a a praia”, a forma contraída, elegante e normativamente correta é “Vou à praia”. Esse “à” indica inequivocamente a presença simultânea da preposição “a”, exigida pela regência do verbo “ir” (pois quem vai, vai a algum lugar), e do artigo definido feminino “a”, que acompanha o substantivo feminino “praia”. Internalizar essa lógica fundamental da fusão é o primeiro e mais crucial passo para dissipar o medo e começar a empregar a crase com segurança e propriedade.

Por que tanto Medo? Investigando as Raízes da “Crasefobia”

A aversão generalizada à crase, que poderíamos jocosamente chamar de “crasefobia”, possui raízes compreensíveis. Primeiramente, o conjunto de regras que normatizam seu uso pode parecer, à primeira vista, numeroso e intrincado, especialmente quando comparado a outras convenções de acentuação gráfica. A necessidade de realizar uma análise sintática, verificando a regência verbal ou nominal (isto é, qual termo exige a preposição “a”?) e, subsequentemente, confirmando se a palavra seguinte admite o artigo feminino “a” (ou se pertence ao grupo específico de pronomes demonstrativos), demanda um raciocínio gramatical um pouco mais abstrato e elaborado.

Adicionalmente, a forte influência da linguagem oral, na qual a distinção fonética entre o “a” preposição/artigo isolado e o “à” craseado é praticamente inexistente na vasta maioria das variantes do português brasileiro, contribui significativamente para a dificuldade na escrita. Na conversação diária, raramente nos detemos a pensar se uma determinada estrutura pediria ou não a crase, e essa ausência de prática auditiva e oral acaba por se refletir na produção textual. Some-se a isso um modelo de ensino que, por vezes, prioriza a memorização mecânica de regras e exceções em detrimento da compreensão da lógica subjacente ao fenômeno da crase, e temos o terreno fértil para a insegurança generalizada e o temor de cometer erros. Como resultado, muitos indivíduos optam por simplesmente omitir o acento grave em situações de dúvida, numa tentativa de evitar o erro, o que, paradoxalmente, pode também comprometer a clareza, o sentido e a correção gramatical do texto.

As Regras do Jogo: Dominando o Uso da Crase sem Neuras

A excelente notícia é que, apesar da sua reputação intimidadora, as regras que governam o uso da crase não constituem um enigma indecifrável. Com um foco renovado na compreensão da lógica essencial da fusão (preposição “a” + artigo feminino “a”/pronome demonstrativo iniciado por “a”), é perfeitamente possível dominar os cenários de uso mais frequentes e relevantes. Vamos explorar os casos mais comuns de ocorrência da crase de uma maneira clara e descomplicada:

1. Antes de Palavras Femininas (que admitem o artigo “a”): Esta é, sem dúvida, a regra de ouro e a situação mais recorrente. Se um verbo ou um nome em sua regência exige a preposição “a”, e a palavra que o sucede é um substantivo feminino que naturalmente aceita o artigo definido “a”, a crase é obrigatória. Um truque clássico e bastante eficaz para verificar essa condição é substituir mentalmente a palavra feminina por uma masculina correlata; se a sequência resultante for “ao” (preposição “a” + artigo “o”), então a forma feminina correspondente exigirá a crase. Por exemplo, na frase “Refiro-me à situação atual”, podemos substituir “situação” por “problema” (masculino), resultando em “Refiro-me ao problema atual”. A presença do “ao” confirma que “à situação” deve levar crase. Outros exemplos ilustrativos incluem: “Fui à feira” (compare com “Fui ao mercado”) e “Assistimos à peça de teatro” (compare com “Assistimos ao filme”).

2. Antes dos Pronomes Demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”: Quando a preposição “a” for exigida por um termo regente antes desses pronomes demonstrativos específicos, a crase ocorrerá invariavelmente. A lógica subjacente é exatamente a mesma da regra anterior: trata-se da fusão da preposição “a” com a vogal “a” inicial desses pronomes. Exemplos claros são: “Entreguei o documento àquela funcionária” (pois quem entrega, entrega algo a alguém) e “Faça referência àquilo que discutimos ontem” (pois fazemos referência a algo).

3. Na Indicação de Horas Determinadas: O uso da crase é padrão para indicar horas exatas do relógio. Exemplificando: “A reunião começará às 14h”; “Chegamos à meia-noite”. É importante notar, contudo, que se outras preposições como “para”, “desde”, “após” ou “entre” precederem a indicação horária, a crase não deve ser utilizada (“Marcaram o encontro para as 15h”, “Estamos aqui desde as 8h”).

4. Em Locuções Adverbiais, Prepositivas e Conjuntivas de Base Feminina: Diversas expressões fixas na língua, que geralmente indicam circunstâncias de tempo, modo ou lugar e são formadas a partir de palavras femininas, tradicionalmente levam crase. Alguns exemplos frequentes são: “Às vezes, sinto saudades”; “Ele saiu às pressas“; “Estamos à disposição para ajudar”; “Na esquina, virou à direita“; “À medida que o tempo passa, aprendemos mais”; “Fique à vontade para perguntar”; “Pagamento à vista“; “Viver às custas de alguém”.

Fique Atento! Quando a Crase NÃO deve ser Usada

Tão crucial quanto saber quando empregar a crase é reconhecer as situações em que ela não tem cabimento. Evitar esses erros comuns representa um grande avanço no domínio do acento grave. É crucial também saber quando a crase não deve ser utilizada, pois evitar esses erros comuns simplifica o processo. Primeiramente, lembre-se que a crase resulta da fusão com o artigo feminino ‘a’, portanto, antes de palavras masculinas como ‘cavalo’, ‘prazo’ ou ‘pé’, ela não ocorre; pense em ‘andar a cavalo’ ou ‘pagamento a prazo’. Da mesma forma, verbos no infinitivo não admitem artigo, invalidando a crase em construções como ‘começou a chover’ ou ‘disposto a colaborar’. A maioria dos pronomes, incluindo pessoais (ela), de tratamento (Vossa Excelência, você – com exceção de ‘senhora’ e ‘senhorita’), indefinidos (ninguém) e demonstrativos (esta), também repelem a crase antes de si: ‘disse a ela’, ‘refiro-me a esta situação’. Nomes de cidades que não são naturalmente acompanhados pelo artigo ‘a’ seguem a mesma lógica: se dizemos ‘vim de Roma’, então é ‘vou a Roma’, sem crase; contudo, se a cidade admite o artigo, como em ‘vim da Bahia’, usamos ‘vou à Bahia’. A especificação também pode chamar o artigo e, consequentemente, a crase, como em ‘fui à Roma antiga’. Finalmente, expressões com palavras repetidas, como ‘cara a cara’ ou ‘dia a dia’, e antes de numerais cardinais (exceto horas), como ‘chegou a duzentos’, dispensam o acento grave.

Casos Especiais e Nuances: A Crase Facultativa

Sim, para adicionar uma camada extra de nuance e, por vezes, de dúvida, existem situações específicas na norma culta em que o uso da crase é considerado facultativo, ou seja, tanto a presença quanto a ausência do acento grave são consideradas corretas. Para adicionar uma camada extra de nuance, existem situações onde o uso da crase é facultativo, ou seja, opcional. Isso acontece notavelmente antes de pronomes possessivos femininos no singular, como ‘minha’, ‘tua’ ou ‘sua’. Tanto ‘Refiro-me a sua ideia’ quanto ‘Refiro-me à sua ideia’ são consideradas corretas, pois o artigo antes do possessivo é opcional. Outro caso comum de opcionalidade ocorre antes de nomes próprios femininos: ‘Entreguei o presente a Paula’ e ‘Entreguei o presente à Paula’ são ambas aceitáveis, refletindo a variabilidade do uso do artigo antes de nomes na língua. Por fim, após a preposição ‘até’, a crase também pode ser facultativa: ‘Fui até a praia’ ou ‘Fui até à praia’. A escolha, nesses casos, pode depender de fatores estilísticos ou de clareza, mas gramaticalmente ambas as formas são válidas.

O Veredito Final: A Crase Morreu? Longe Disso!

Retornando à nossa indagação inicial e confrontando o mito popular: a crase definitivamente não morreu, nem está em vias de desaparecer da norma culta da língua portuguesa. Pelo contrário, ela continua sendo uma ferramenta linguística vital, indispensável para garantir a precisão semântica, a clareza da mensagem e a elegância da escrita formal. Ignorar sua existência ou utilizá-la de maneira incorreta pode não apenas gerar ambiguidades e mal-entendidos – como na clássica distinção entre “Vender a vista” (vender os próprios olhos) e “Vender à vista” (vender com pagamento imediato), onde a crase é o único elemento diferenciador – mas também pode ser interpretado como um sinal de descuido ou falta de domínio da norma padrão.

Em vez de cultivar o temor pela crase, deveríamos encará-la como uma aliada poderosa na busca por uma comunicação escrita mais eficaz e refinada. Compreender a lógica fundamental que a rege – a elegante fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” ou com as vogais iniciais de pronomes específicos – revela-se uma abordagem muito mais produtiva e duradoura do que a simples memorização de listas intermináveis de regras e exceções. A prática constante da escrita, a leitura atenta de bons textos e a consulta regular a materiais de referência confiáveis (gramáticas, dicionários de regência) são, sem dúvida, os melhores caminhos para consolidar o conhecimento e dominar o uso da crase com naturalidade e confiança.

Portanto, da próxima vez que a dúvida sobre o uso do acento grave surgir durante a escrita, respire fundo, analise a estrutura da frase com calma, relembre a lógica essencial da fusão e faça a sua escolha de forma consciente e fundamentada. A crase não é um obstáculo intransponível, mas sim uma característica inteligente, funcional e distintiva do nosso rico idioma.

E você, qual a sua maior dificuldade ou dúvida em relação ao uso da crase? Possui alguma dica ou truque infalível que gostaria de compartilhar para ajudar outros a não errarem mais? Deixe suas experiências, perguntas e sugestões nos comentários abaixo! Vamos continuar Portuguesando e aprendendo juntos!

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USO DA CRASE https://portuguesando.com.br/uso-da-crase/ Fri, 07 Mar 2025 17:45:55 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=635

1) Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
a) Fui à mercado comprar frutas.
b) Dei o presente à minha mãe.
c) Ela chegou às oito horas da noite.
d) Vamos à festa do amigo Pedro.
e) Todas as alternativas estão corretas.

2) Marque a alternativa em que a crase foi usada incorretamente:
a) Chegamos à cidade no fim da tarde.
b) Assisti à peça de teatro ontem.
c) Ela foi à praia todos os dias.
d) Vou à aquele restaurante famoso.
e) Dirigi-me às lojas do shopping.

3) Complete a frase com a opção correta:
“Eles viajaram ___ Europa nas férias.”

a) à
b) a
c) às
d) ao
e) Nenhuma das alternativas.

4) Em qual das frases abaixo há erro no uso da crase?
a) Voltarei à casa dos meus pais em breve.
b) A empresa se referiu às normas do contrato.
c) Obedeci à regra estabelecida pelo professor.
d) Compramos os ingressos à medida que chegavam os convidados.
e) Ele foi à aquele evento importante.

5) Em qual das alternativas a crase está incorreta?
a) Darei flores à minha avó.
b) Voltaremos à fazenda no próximo feriado.
c) O gerente chamou à cliente para conversar.
d) O aluno se referiu às normas do regulamento.
e) Vou à escola todos os dias.

6) Assinale a alternativa correta:
a) Fomos à praia e aproveitamos o sol.
b) Ela entregou os documentos à prefeitura.
c) O professor se referiu às diretrizes do projeto.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

7) A crase deve ser usada na seguinte frase:
a) Ele foi a Espanha a trabalho.
b) Dirigimo-nos a instituição que promove o evento.
c) Fui a uma reunião importante.
d) A empresa faz referência às normas do contrato.
e) Vou a Porto Alegre visitar meus amigos.

8) A frase “Ela voltou à casa dos pais” indica:
a) Uso incorreto da crase.
b) Uso correto da crase, pois “casa” está determinada.
c) Uso opcional da crase.
d) Uso incorreto da crase, pois “casa” não aceita crase.
e) Nenhuma das alternativas.

9) Qual opção apresenta erro no uso da crase?
a) Voltaremos à escola amanhã.
b) Ele foi à Europa estudar.
c) Fiz referência àquelas diretrizes.
d) Vou àquela cidade nas férias.
e) As crianças foram a praia brincar.

10) Assinale a frase em que o uso da crase está incorreto:
a) Dei atenção àquela aluna.
b) Andei à cavalo no sítio.
c) Ele voltou à cidade natal.
d) Ela assistiu à novela com interesse.
e) Fui à feira comprar frutas.

11) O uso da crase está correto em:
a) Referi-me às pessoas presentes.
b) O documento está à disposição dos funcionários.
c) Respondeu à mensagem com pressa.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

12) Em qual alternativa a crase foi usada de forma errada?
a) Vou à biblioteca estudar.
b) Dei um presente à minha mãe.
c) Ele se dirigiu às professoras para tirar dúvidas.
d) Assistimos à aquele filme famoso.
e) Entreguei os papéis à secretária.

13) Assinale a frase em que a crase está incorreta:
a) Ele foi àquela loja famosa.
b) Prefiro arroz à moda da casa.
c) Dirigi-me à secretaria para pedir informações.
d) Vou à escola a tarde toda.
e) Ela se referiu às antigas tradições.

14) A crase está corretamente empregada em:
a) À medida que estudamos, aprendemos mais.
b) Fui às festas de fim de ano.
c) Ele se referiu às funcionárias com respeito.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

15) Qual frase está correta quanto ao uso da crase?
a) A professora deu um aviso às alunas.
b) Dirigimo-nos à biblioteca para estudar.
c) Fui à feira comprar verduras.
d) Assisti à palestra com interesse.
e) Todas as alternativas estão corretas.


Gabarito: 1-e / 2-d / 3-a / 4-e / 5-c / 6-d / 7-d / 8-b / 9-e / 10-b / 11-d / 12-d / 13-d / 14-d / 15-e

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