figuras de linguagem – Portuguesando https://portuguesando.com.br Língua Portuguesa Sun, 04 May 2025 11:32:32 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 Figuras de Linguagem: Como Elas Deixam o Texto Mais Expressivo https://portuguesando.com.br/figuras-de-linguagem-como-elas-deixam-o-texto-mais-expressivo/ Sat, 03 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=731 Você já ouviu alguém dizer “estou nas nuvens” ou “morreu de tanto rir”? Essas expressões, carregadas de criatividade, são exemplos de figuras de linguagem, um dos recursos mais fascinantes da Língua Portuguesa.

Mais do que simples ornamentos, as figuras de linguagem transformam o texto em arte, dão vida às palavras e permitem que sentimentos e ideias sejam comunicados com intensidade, leveza ou impacto.

Neste artigo, você vai entender por que as figuras de linguagem são essenciais para a expressividade textual — e por que dominar esse conteúdo vai muito além de passar em uma prova.


O que são figuras de linguagem?

São recursos estilísticos usados para ampliar o sentido das palavras, dar ênfase a uma ideia, provocar emoção ou tornar a comunicação mais rica. Elas surgem principalmente na linguagem literária, mas também estão no nosso dia a dia.

Existem várias categorias, mas as principais são:

  • Figuras de palavras (tropos)
  • Figuras de pensamento
  • Figuras de som (fonológicas)
  • Figuras de construção (sintáticas)

As mais usadas (e cobradas)

A seguir, veja as figuras mais recorrentes e como elas atuam na construção do sentido:

1. Metáfora

Associação subjetiva entre duas ideias sem uso de conectivos comparativos.
🖋 “Meu pensamento é um rio subterrâneo.”

2. Comparação

Aproxima dois elementos com palavras como “como”, “tal qual”, “assim como”.
🖋 “Ela é forte como um leão.”

3. Personificação (prosopopeia)

Atribui características humanas a seres inanimados ou abstratos.
🖋 “A lua sorriu para mim.”

4. Hipérbole

Exagero expressivo para dar ênfase.
🖋 “Esperei uma eternidade.”

5. Eufemismo

Suaviza uma ideia negativa.
🖋 “Ele partiu dessa para uma melhor.”

6. Ironia

Diz-se o oposto do que se pensa, com intenção crítica ou humorística.
🖋 “Que ótimo! Quebrei o celular novinho.”

7. Polissíndeto

Repetição intencional de conjunções para enfatizar ou criar ritmo.
🖋 “E gritou, e chorou, e correu, e caiu.”
➡ O polissíndeto reforça a sucessão das ações e imprime dramaticidade ou tensão ao texto.


Por que dominar esse conteúdo?

  • Melhora a escrita criativa
  • Enriquece redações e análises literárias
  • Ajuda a interpretar textos com mais profundidade
  • É conteúdo certo em vestibulares, ENEM e concursos

Atividade: Identifique e interprete

Leia as frases a seguir e identifique qual figura de linguagem está presente em cada uma. Em seguida, reflita sobre o efeito de sentido que ela provoca.


1. “O tempo é um ladrão que rouba a juventude.”
2. “Chorou rios de lágrimas.”
3. “Ele é um poço de paciência.”
4. “A esperança é a última que morre.”
5. “Nossa, que alegria! Levei um fora!”
6. “Estava mais perdido que cego em tiroteio.”
7. “O coração dele bate forte como um tambor.”
8. “E correu, e gritou, e chorou, e caiu.”


✅ Gabarito Explicativo

1. Personificação (ou prosopopeia)
🟢 O tempo recebe uma ação humana: “roubar”. Isso dá vida ao conceito abstrato e intensifica o impacto da passagem do tempo.

2. Hipérbole
🟢 “Rios de lágrimas” exagera o volume de choro para transmitir uma emoção forte, intensa.

3. Metáfora
🟢 “Poço de paciência” não é literal. Trata-se de uma comparação implícita, onde “poço” simboliza profundidade e abundância de paciência.

4. Personificação
🟢 A “esperança” é tratada como um ser vivo que morre, o que reforça sua persistência emocional.

5. Ironia
🟢 A frase expressa “alegria” com sarcasmo, pois o “fora” é uma situação negativa. O efeito é crítico e irônico.

6. Comparação
🟢 A expressão faz uma analogia explícita usando “como”: comparação cômica para reforçar a ideia de desorientação.

7. Comparação
🟢 A batida do coração é comparada ao som de um tambor, criando uma imagem sonora que enfatiza a emoção.

8. Polissíndeto
🟢 A repetição da conjunção “e” enfatiza a sucessão das ações e intensifica a dramaticidade da cena.


✨ Conclusão

As figuras de linguagem não apenas embelezam o texto — elas transformam a forma como nos comunicamos. Ao compreender e aplicar esses recursos, você ganha mais poder de expressão, seja em uma redação nota 1000, em um poema ou até em um meme bem escrito.


]]>
Pleonasmo: Erro ou Recurso de Estilo? https://portuguesando.com.br/pleonasmo-erro-ou-recurso-de-estilo/ Fri, 02 May 2025 17:17:53 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=726 Você já ouviu alguém dizer que “subir pra cima” está errado? Ou que “entrar pra dentro” é um erro grave? Talvez sim — e talvez até tenha corrigido alguém. Mas será que toda repetição de palavras com sentidos semelhantes é um erro? Ou há casos em que esse recurso é intencional e até enriquecedor para o texto?

Bem-vindo ao universo do pleonasmo, onde repetir pode ser feio… ou pode ser belo.

Assista ao vídeo que explica sobre FIGURAS DE LINGUAGEM


Afinal, o que é pleonasmo?

Pleonasmo é uma figura de linguagem em que ocorre a repetição de uma ideia ou termo com o objetivo de reforçar o sentido. Ele pode ser:

  • vicioso (quando é um erro de linguagem); ou
  • literário ou estilístico (quando é usado com intenção expressiva).

A diferença entre um e outro está no contexto e, principalmente, na intencionalidade de quem escreve ou fala.


Pleonasmo vicioso: quando repetir é um tropeço

Imagine alguém dizendo:

“Vamos repetir de novo essa música!”

A palavra “repetir” já traz a ideia de fazer de novo, então, nesse caso, o termo adicional é redundante e desnecessário. Isso é o que chamamos de pleonasmo vicioso, ou seja, uma repetição que empobrece o texto ou o torna incoerente.

Outros exemplos comuns:

  • “sair para fora”
  • “encarar de frente”
  • “elo de ligação”
  • “subir para cima”
  • “criar uma nova criação”

Essas construções costumam ocorrer na linguagem coloquial e são tidas como vícios de linguagem. Em contextos formais, devem ser evitadas.


Pleonasmo literário: quando repetir é arte

Agora pense na frase:

“Vi com meus próprios olhos.”

Aqui, temos uma repetição desnecessária? Sim. Mas é um recurso intencional, usado para reforçar a veracidade ou a dramaticidade da fala. Esse é o chamado pleonasmo estilístico.

Autores e poetas usam pleonasmos para criar ritmo, ênfase ou emoção. Veja este verso de Camões:

“Chovia uma triste chuva de tristeza.”

Ou esta música de Caetano Veloso:

“Eu sei que vou te amar / Por toda a minha vida eu vou te amar.”

Nesses casos, a repetição é expressiva, não um erro. Ela carrega intensidade emocional.


Como saber quando o pleonasmo é erro ou estilo?

Aqui vai uma dica simples:
Pergunte a si mesmo: essa repetição tem uma função expressiva? Está aqui para reforçar uma ideia de forma intencional ou só está “enchendo linguiça”?

Se for só uma redundância sem função — corte.
Se for proposital e traz sentido estético — valorize.


Pleonasmos que você pode (e deve) evitar em textos formais

Em redações, textos acadêmicos e ambientes profissionais, evite pleonasmos viciosos. Eles podem soar como descuido ou falta de domínio da língua.

  • ❌ “Continue a seguir em frente com o projeto.”
    ✅ “Continue com o projeto.” ou “Siga com o projeto.”
  • ❌ “Vamos antecipar para antes do prazo.”
    ✅ “Vamos antecipar o prazo.”

Conclusão: a arte está no uso consciente

O pleonasmo não é, por si só, um erro — é uma faca de dois gumes. Usado com cuidado, ele pode dar força e beleza à comunicação. Usado sem critério, pode enfraquecer sua mensagem.

Portanto, da próxima vez que ouvir alguém dizer “eu vi com meus próprios olhos”, pense duas vezes antes de corrigir. Pode ser poesia disfarçada de conversa.

📝 Atividade – Pleonasmo: erro ou estilo?

1. Assinale a alternativa que apresenta um exemplo de pleonasmo vicioso:

a) Vi com meus próprios olhos.
b) Sair para fora rapidamente.
c) Chove chuva, chove sem parar.
d) Vou subir a escada.


2. Em qual alternativa o pleonasmo é usado como recurso estilístico (intencional)?

a) Entra pra dentro e senta logo.
b) Vamos antecipar antes do prazo.
c) Eu ouvi com meus próprios ouvidos.
d) Ele retornou de novo para casa.


3. Qual é a principal diferença entre o pleonasmo vicioso e o pleonasmo literário?

a) O vicioso é usado na fala cotidiana e o literário em textos científicos.
b) O vicioso ocorre apenas na fala, e o literário apenas na escrita.
c) O vicioso é erro de repetição; o literário reforça ideias com intenção estilística.
d) Não há diferença: ambos são considerados vícios de linguagem.


4. Marque a frase em que o uso do pleonasmo compromete a clareza da linguagem:

a) Ele vive uma vida difícil.
b) Vamos repetir novamente a apresentação.
c) Vi o mundo girando em meu pensamento.
d) Os olhos cegos enxergam o que o coração sente.


5. Em um texto formal, qual alternativa seria a mais adequada?

a) Vamos subir para cima o mais rápido possível.
b) Eu vi com meus próprios olhos, Excelência.
c) Antecipamos para antes da data prevista.
d) Antecipamos a entrega.

✅ Gabarito Explicativo – Pleonasmo: erro ou estilo?


1. Assinale a alternativa que apresenta um exemplo de pleonasmo vicioso:

Resposta correta: b) Sair para fora rapidamente.

📌 Explicação: “Sair” já pressupõe ir para fora. Repetir “para fora” é redundante e desnecessário, caracterizando um pleonasmo vicioso, que deve ser evitado em textos formais.


2. Em qual alternativa o pleonasmo é usado como recurso estilístico (intencional)?

Resposta correta: c) Eu ouvi com meus próprios ouvidos.

📌 Explicação: Aqui o pleonasmo é intencional, reforçando o envolvimento pessoal e dando ênfase à afirmação. É um exemplo de pleonasmo literário ou estilístico, comum em falas emocionais ou textos poéticos.


3. Qual é a principal diferença entre o pleonasmo vicioso e o pleonasmo literário?

Resposta correta: c) O vicioso é erro de repetição; o literário reforça ideias com intenção estilística.

📌 Explicação: A diferença central está na intenção. O pleonasmo vicioso repete ideias sem necessidade e prejudica a clareza. Já o literário é usado com objetivo expressivo, para dar força, beleza ou emoção à linguagem.


4. Marque a frase em que o uso do pleonasmo compromete a clareza da linguagem:

Resposta correta: b) Vamos repetir novamente a apresentação.

📌 Explicação: O verbo “repetir” já significa “fazer novamente”. Acrescentar “novamente” é um erro de redundância, pois a repetição está implícita. Isso torna a frase excessiva e desnecessária.


5. Em um texto formal, qual alternativa seria a mais adequada?

Resposta correta: d) Antecipamos a entrega.

📌 Explicação: A forma é direta, clara e objetiva — exatamente o que se espera em textos formais. As outras opções apresentam pleonasmos viciosos que devem ser evitados nesses contextos.

]]>