período – Portuguesando https://portuguesando.com.br Língua Portuguesa Fri, 16 May 2025 18:15:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9 Parônimos: Palavras Parecidas, Significados Diferentes https://portuguesando.com.br/paronimos-palavras-parecidas-significados-diferentes/ Tue, 20 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=797 A língua portuguesa é repleta de sutilezas e particularidades que podem confundir até mesmo os falantes mais experientes. Entre essas peculiaridades, encontramos os parônimos, palavras que frequentemente causam dúvidas e são responsáveis por diversos equívocos na comunicação escrita e falada. Neste artigo, vamos explorar o que são os parônimos, como identificá-los e como utilizá-los corretamente em nosso dia a dia.

O que são parônimos?

Parônimos são palavras que apresentam grafia e pronúncia semelhantes, porém possuem significados completamente diferentes. Essa semelhança na forma como são escritas e pronunciadas é justamente o que causa confusão entre os falantes da língua portuguesa, levando a erros comuns tanto na escrita quanto na fala.

De acordo com o site Brasil Escola, “palavras parônimas são pares de palavras quase homônimas, com pouca diferença no som e na grafia”. Essa definição nos ajuda a compreender que os parônimos são palavras que, apesar de parecerem muito com outras, carregam sentidos distintos e são utilizadas em contextos específicos.

É importante não confundir parônimos com homônimos. Enquanto os parônimos são palavras semelhantes na grafia e na pronúncia, os homônimos são palavras que têm pronúncia e/ou grafia idênticas, mas significados diferentes. Os homônimos ainda se dividem em homógrafos (mesma grafia, pronúncia diferente), homófonos (mesma pronúncia, grafia diferente) e homônimos perfeitos (mesma grafia e pronúncia).

Exemplos comuns de parônimos

Para compreender melhor o conceito de parônimos, vamos analisar alguns exemplos comuns que frequentemente causam confusão:

Comprimento e Cumprimento

  • Comprimento: refere-se à medida de algo de uma extremidade à outra. Exemplo: O comprimento da sala é de 5 metros.
  • Cumprimento: ato de cumprimentar alguém ou de cumprir algo. Exemplo: Ele fez um cumprimento formal ao chegar à reunião.

Descrição e Discrição

  • Descrição: ato de descrever algo ou alguém. Exemplo: A descrição do suspeito ajudou a polícia a identificá-lo.
  • Discrição: qualidade de quem é discreto, reservado. Exemplo: Ele agiu com discrição ao tratar do assunto delicado.

Eminente e Iminente

  • Eminente: aquilo que se destaca, que é ilustre ou importante. Exemplo: O eminente professor recebeu um prêmio por sua contribuição à ciência.
  • Iminente: algo que está prestes a acontecer. Exemplo: O desabamento do prédio era iminente devido às rachaduras na estrutura.

Inflação e Infração

  • Inflação: aumento generalizado de preços. Exemplo: A inflação deste mês superou as expectativas dos economistas.
  • Infração: violação de uma lei ou regra. Exemplo: O motorista cometeu uma infração ao ultrapassar o sinal vermelho.

Absolver e Absorver

  • Absolver: perdoar, inocentar. Exemplo: O juiz decidiu absolver o réu por falta de provas.
  • Absorver: aspirar, sorver. Exemplo: O papel toalha consegue absorver o líquido derramado.

Cavaleiro e Cavalheiro

  • Cavaleiro: pessoa que monta a cavalo ou que pertencia a uma ordem militar na Idade Média. Exemplo: O cavaleiro participou do torneio de equitação.
  • Cavalheiro: homem gentil, educado. Exemplo: Ele se comportou como um verdadeiro cavalheiro durante o jantar.

Tráfego e Tráfico

  • Tráfego: movimento de veículos, trânsito. Exemplo: O tráfego na avenida principal está congestionado neste horário.
  • Tráfico: comércio ilegal. Exemplo: As autoridades combatem o tráfico de drogas na região.

A importância de conhecer os parônimos

Conhecer e saber utilizar corretamente os parônimos é fundamental para uma comunicação clara e eficaz. O uso inadequado dessas palavras pode gerar ambiguidades, mal-entendidos e até mesmo alterar completamente o sentido de uma mensagem.

No ambiente acadêmico e profissional, o domínio dos parônimos é ainda mais relevante, pois demonstra conhecimento linguístico e cuidado com a precisão da comunicação. Em redações, relatórios, e-mails e outros documentos formais, o uso correto dessas palavras contribui para a qualidade do texto e para a credibilidade do autor.

Além disso, em concursos públicos, vestibulares e outras avaliações, questões sobre parônimos são frequentes, testando a capacidade do candidato de distinguir palavras semelhantes e aplicá-las adequadamente em diferentes contextos.

Como evitar confusões com parônimos

Para evitar confusões no uso de parônimos, algumas estratégias podem ser úteis:

  1. Consulte o dicionário: em caso de dúvida, sempre verifique o significado exato de cada palavra no dicionário.
  2. Contextualize: analise o contexto em que a palavra será utilizada para determinar qual parônimo é o mais adequado.
  3. Pratique a leitura: quanto mais você lê, mais familiarizado fica com o uso correto das palavras.
  4. Faça exercícios específicos: resolver questões sobre parônimos ajuda a fixar as diferenças entre as palavras.
  5. Crie associações: relacione cada parônimo a uma situação ou frase específica para lembrar mais facilmente do seu significado.

Conclusão

Os parônimos representam um aspecto fascinante e desafiador da língua portuguesa. Compreender suas diferenças e saber utilizá-los corretamente é essencial para uma comunicação precisa e eficaz. Ao dominar o uso dos parônimos, você enriquece seu vocabulário e aprimora sua capacidade de expressão, evitando equívocos que podem comprometer a clareza de suas mensagens.

Lembre-se de que o estudo da língua é um processo contínuo, e a prática regular é a melhor forma de consolidar o conhecimento sobre parônimos e outras particularidades do português.

Atividade: Teste seus conhecimentos sobre parônimos

Agora que você já conhece o que são parônimos e como utilizá-los corretamente, vamos praticar com alguns exercícios. Leia atentamente cada questão e escolha a alternativa que completa corretamente as frases com os parônimos adequados.

1. Complete as frases com os parônimos EMINENTE ou IMINENTE:

a) O palestrante __________ chegará em breve para a conferência. b) O acidente era __________ devido às más condições da estrada. c) Aquele professor é considerado uma autoridade __________ no assunto. d) O risco de enchente é __________ com as fortes chuvas previstas.

2. Escolha entre TRÁFEGO ou TRÁFICO:

a) O __________ de veículos aumenta consideravelmente nos horários de pico. b) As autoridades intensificaram o combate ao __________ de animais silvestres. c) O __________ na internet cresceu durante a pandemia. d) O __________ de influência é considerado crime em muitos países.

3. Preencha com DESCRIÇÃO ou DISCRIÇÃO:

a) A __________ detalhada do suspeito ajudou na investigação. b) Ele tratou do assunto com __________, sem chamar atenção. c) A __________ da paisagem no livro é belíssima. d) A situação exige __________ por parte de todos os envolvidos.

4. Complete com COMPRIMENTO ou CUMPRIMENTO:

a) O __________ do tecido não é suficiente para fazer a cortina. b) Ele fez um __________ formal ao entrar na sala. c) Qual é o __________ do rio Amazonas? d) O __________ das normas é obrigatório para todos os funcionários.

5. Escolha entre CAVALEIRO ou CAVALHEIRO:

a) O __________ ajudou a senhora a carregar as compras. b) O __________ participou da competição de hipismo. c) Todo __________ deve ceder seu lugar a uma pessoa idosa. d) O __________ medieval usava armadura nas batalhas.

6. Complete as frases com ABSOLVER ou ABSORVER:

a) O papel toalha consegue __________ o líquido derramado. b) O juiz decidiu __________ o réu por falta de provas. c) A pele pode __________ vitamina D através da exposição ao sol. d) A igreja pode __________ os pecados dos fiéis através da confissão.

7. Escolha entre INFLAÇÃO ou INFRAÇÃO:

a) A __________ do mês superou as expectativas dos economistas. b) O motorista cometeu uma __________ ao estacionar em local proibido. c) O controle da __________ é fundamental para a estabilidade econômica. d) A multa por __________ de trânsito aumentou significativamente.

8. Complete com EMIGRAR ou IMIGRAR:

a) Muitos brasileiros decidiram __________ para Portugal em busca de melhores condições de vida. b) Os refugiados tentam __________ para países da Europa. c) Meus avós decidiram __________ do Japão após a Segunda Guerra Mundial. d) É difícil __________ para outro país sem conhecer o idioma local.

9. Escolha entre RATIFICAR ou RETIFICAR:

a) O diretor precisou __________ o erro no relatório antes da publicação. b) O Brasil decidiu __________ o acordo internacional sobre mudanças climáticas. c) É necessário __________ as informações incorretas no cadastro. d) O presidente vai __________ sua posição durante a reunião de amanhã.

10. Complete com MANDADO ou MANDATO:

a) O juiz expediu um __________ de busca e apreensão. b) O __________ do presidente termina no próximo ano. c) O advogado recebeu um __________ judicial para representar seu cliente. d) O __________ parlamentar tem duração de quatro anos.

Gabarito

1. EMINENTE ou IMINENTE:

a) O palestrante eminente chegará em breve para a conferência. b) O acidente era iminente devido às más condições da estrada. c) Aquele professor é considerado uma autoridade eminente no assunto. d) O risco de enchente é iminente com as fortes chuvas previstas.

2. TRÁFEGO ou TRÁFICO:

a) O tráfego de veículos aumenta consideravelmente nos horários de pico. b) As autoridades intensificaram o combate ao tráfico de animais silvestres. c) O tráfego na internet cresceu durante a pandemia. d) O tráfico de influência é considerado crime em muitos países.

3. DESCRIÇÃO ou DISCRIÇÃO:

a) A descrição detalhada do suspeito ajudou na investigação. b) Ele tratou do assunto com discrição, sem chamar atenção. c) A descrição da paisagem no livro é belíssima. d) A situação exige discrição por parte de todos os envolvidos.

4. COMPRIMENTO ou CUMPRIMENTO:

a) O comprimento do tecido não é suficiente para fazer a cortina. b) Ele fez um cumprimento formal ao entrar na sala. c) Qual é o comprimento do rio Amazonas? d) O cumprimento das normas é obrigatório para todos os funcionários.

5. CAVALEIRO ou CAVALHEIRO:

a) O cavalheiro ajudou a senhora a carregar as compras. b) O cavaleiro participou da competição de hipismo. c) Todo cavalheiro deve ceder seu lugar a uma pessoa idosa. d) O cavaleiro medieval usava armadura nas batalhas.

6. ABSOLVER ou ABSORVER:

a) O papel toalha consegue absorver o líquido derramado. b) O juiz decidiu absolver o réu por falta de provas. c) A pele pode absorver vitamina D através da exposição ao sol. d) A igreja pode absolver os pecados dos fiéis através da confissão.

7. INFLAÇÃO ou INFRAÇÃO:

a) A inflação do mês superou as expectativas dos economistas. b) O motorista cometeu uma infração ao estacionar em local proibido. c) O controle da inflação é fundamental para a estabilidade econômica. d) A multa por infração de trânsito aumentou significativamente.

8. EMIGRAR ou IMIGRAR:

a) Muitos brasileiros decidiram emigrar para Portugal em busca de melhores condições de vida. b) Os refugiados tentam imigrar para países da Europa. c) Meus avós decidiram emigrar do Japão após a Segunda Guerra Mundial. d) É difícil imigrar para outro país sem conhecer o idioma local.

9. RATIFICAR ou RETIFICAR:

a) O diretor precisou retificar o erro no relatório antes da publicação. b) O Brasil decidiu ratificar o acordo internacional sobre mudanças climáticas. c) É necessário retificar as informações incorretas no cadastro. d) O presidente vai ratificar sua posição durante a reunião de amanhã.

10. MANDADO ou MANDATO:

a) O juiz expediu um mandado de busca e apreensão. b) O mandato do presidente termina no próximo ano. c) O advogado recebeu um mandado judicial para representar seu cliente. d) O mandato parlamentar tem duração de quatro anos.

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Verbo haver: singular ou plural? Esclareça de vez essa dúvida https://portuguesando.com.br/verbo-haver-singular-ou-plural-esclareca-de-vez-essa-duvida/ Thu, 15 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=778 O uso do verbo haver gera dúvidas até mesmo entre os falantes mais experientes da língua portuguesa. Afinal, devemos usar esse verbo no singular ou no plural? A resposta depende do contexto — e é isso que vamos esclarecer neste artigo.


Quando o verbo “haver” é impessoal

O verbo haver é impessoal quando tem o sentido de existir, acontecer ou ocorrer. Nesse caso, não vai para o plural, mesmo que se refira a mais de uma coisa.

Exemplos corretos:

  • Houve muitos acidentes na estrada. (e não houveram)
  • Há pessoas esperando lá fora. (e não hão)
  • Havia muitas dúvidas naquela época.

Dica: quando “haver” = “existir”, ele não tem sujeito e, por isso, fica no singular.


Quando o verbo “haver” é pessoal

O verbo haver é pessoal quando tem o sentido de ter, possuir (em relação a tempo ou obrigação), ou é utilizado em locuções verbais com verbos auxiliares.

Exemplos:

  • Eles haviam estudado antes da prova. (verbo auxiliar + particípio)
  • Havíamos combinado de nos encontrar às oito.

Nesse caso, o verbo se flexiona normalmente, de acordo com o sujeito da oração.


Erros comuns com o verbo “haver”

🚫 Houveram muitos protestos na cidade. ❌
✅ Correto: Houve muitos protestos na cidade.

🚫 Hão muitas maneiras de resolver o problema. ❌
✅ Correto: Há muitas maneiras de resolver o problema.


Atividades

1. Complete as frases abaixo com a forma correta do verbo haver:

a) _______ pessoas interessadas na vaga.
b) _______ muitos comentários sobre o assunto.
c) Nós já _______ falado sobre isso antes.
d) Eles _______ prometido comparecer.
e) _______ uma reunião importante ontem.

2. Julgue as afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):

( ) O verbo “haver”, com sentido de existir, deve ser flexionado no plural.
( ) “Haverá novidades em breve” está gramaticalmente correto.
( ) Em “Eles haviam estudado”, o verbo está no sentido auxiliar e deve ser flexionado.
( ) “Houveram problemas na empresa” é uma construção correta.


Gabarito comentado

1.

a) pessoas interessadas na vaga.
b) Houve muitos comentários sobre o assunto.
c) Nós já havíamos falado sobre isso antes.
d) Eles haviam prometido comparecer.
e) Houve uma reunião importante ontem.

2.

(F) O verbo “haver” com sentido de existir deve ficar no singular.
(V) “Haverá novidades em breve” está correto.
(V) “Eles haviam estudado” é correto pois o verbo “haver” está como auxiliar.
(F) “Houveram problemas” está incorreto; o correto é “Houve problemas”.


Conclusão

O verbo haver exige atenção especial por seu uso impessoal em muitos contextos. Saber quando mantê-lo no singular ou flexioná-lo no plural pode evitar erros gramaticais comuns. Ao dominá-lo, você melhora não só sua escrita, mas também sua compreensão das estruturas formais da língua portuguesa.

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Coesão e coerência: como tornar seu texto mais claro e eficiente https://portuguesando.com.br/coesao-e-coerencia-como-tornar-seu-texto-mais-claro-e-eficiente/ Tue, 13 May 2025 10:34:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=773

A escrita eficiente não depende apenas de boas ideias, mas da forma como essas ideias são organizadas. Dois elementos fundamentais para a qualidade de um texto são coesão e coerência. Quando essas duas características estão presentes, o leitor compreende facilmente o que se quer transmitir, sem ruídos ou ambiguidades.


O que é coerência?

Coerência refere-se à lógica e à clareza do conteúdo. Um texto coerente mantém o mesmo sentido do início ao fim, respeita o conhecimento do leitor e apresenta uma sequência lógica de informações.

🔎 Exemplo incoerente:

Fui ao supermercado comprar pão e flores, mas acabei comprando um carro novo.

🤔 O que há de estranho? A compra de um carro não tem relação com o início da frase. Isso quebra a coerência textual.

🔎 Exemplo coerente:

Fui ao supermercado comprar pão e flores, mas acabei comprando também frutas e legumes.


O que é coesão?

A coesão está relacionada ao uso de elementos linguísticos que conectam partes do texto, como conjunções, pronomes e advérbios, criando ligações entre frases e parágrafos.

🔎 Exemplo sem coesão:

O aluno foi mal na prova. O aluno não estudou.

🔗 Exemplo com coesão:

O aluno foi mal na prova porque não estudou.

Palavras como “porque”, “portanto”, “além disso” e “no entanto” são exemplos de conectores coesivos.


Dicas práticas para melhorar a coesão e coerência:

  1. Mantenha uma sequência lógica nas ideias.
  2. Use conectivos adequados entre frases e parágrafos.
  3. Evite repetições excessivas.
  4. Revise o texto pensando na clareza para o leitor.

Atividade: complete os trechos abaixo com conectivos apropriados e reescreva as frases para garantir a coerência

1. Estava muito cansado, _________ continuei trabalhando até tarde.
2. O ônibus atrasou. Cheguei tarde à aula. (Reescreva com coesão) 3. Gosto muito de estudar, porém _________. 4. O aluno estudou bastante. Ele foi mal na prova. (Reescreva de forma coerente)


Gabarito comentado

1. Estava muito cansado, mas continuei trabalhando até tarde. → Conector adversativo que mostra contraste.

2. Como o ônibus atrasou, cheguei tarde à aula. → A relação entre causa e consequência é destacada.

3. Gosto muito de estudar, porém às vezes me distraio facilmente. → O segundo membro da frase deve trazer uma ideia oposta ou contrastante.

4. O aluno estudou bastante, mas foi mal na prova porque estava nervoso. → Explica o motivo, trazendo mais coerência ao texto.


Conclusão

A coesão e a coerência não são apenas aspectos técnicos da escrita — são ferramentas essenciais para tornar seu texto mais efetivo, fluido e compreensível. Praticar o uso de conectores, revisar as ideias e pensar no leitor são passos fundamentais para a produção de textos claros e bem estruturados.

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5 erros de concordância que você pode estar cometendo (com exemplos e atividades) https://portuguesando.com.br/5-erros-de-concordancia-que-voce-pode-estar-cometendo-com-exemplos-e-atividades/ Sun, 11 May 2025 10:50:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=758 A concordância é um dos pilares da gramática da língua portuguesa. Seja nominal ou verbal, ela garante que os elementos da frase estejam em harmonia. Ainda assim, muitos deslizes passam despercebidos no cotidiano, tanto na fala quanto na escrita. Neste artigo, você vai conhecer 5 erros comuns de concordância e aprender a evitá-los com exemplos práticos e atividades com gabarito comentado.


1. Falta de concordância entre sujeito e verbo

Errado: As criança brinca no parque.

Correto: As crianças brincam no parque.

O sujeito “crianças” está no plural, logo o verbo também deve estar.


2. Concordância com sujeito partitivo (a maioria, grande parte, etc.)

Errado: A maioria dos alunos chegaram atrasada.

Correto: A maioria dos alunos chegou atrasada.

O verbo deve concordar com o sujeito “a maioria”, que está no singular, mesmo que o complemento esteja no plural.


3. Uso incorreto de “houve” no sentido de existir

Errado: Houveram muitos problemas ontem.

Correto: Houve muitos problemas ontem.

O verbo “haver” no sentido de existir é impessoal e, portanto, fica sempre no singular.


4. Verbo com sujeito composto posicionado após o verbo

Errado: Chegou Pedro e Ana na festa.

Correto: Chegaram Pedro e Ana na festa.

Quando o sujeito composto vem após o verbo, este deve concordar com o sujeito no plural.


5. Concordância com pronomes de tratamento

Errado: Vossa Excelência estão enganados.

Correto: Vossa Excelência está enganada.

Apesar de o pronome estar na forma de tratamento (terceira pessoa), a concordância é com a terceira pessoa do singular.


Atividade: Corrija as frases a seguir

  1. Faltou os documentos necessários para o cadastro.
  2. Devem haver soluções para esse problema.
  3. Vossa Senhoria estão convocados para a reunião.
  4. Chegou os meninos e as meninas.
  5. Grande parte dos convidados já chegaram.

Gabarito comentado

  1. Faltaram os documentos necessários para o cadastro.

O verbo “faltar” é pessoal e deve concordar com “os documentos” (plural).

  1. Deve haver soluções para esse problema.

“Haver” é impessoal quando usado no sentido de existir: deve permanecer no singular.

  1. Vossa Senhoria está convocada para a reunião.

Concordância com a terceira pessoa do singular.

  1. Chegaram os meninos e as meninas.

Sujeito composto posposto: verbo no plural.

  1. Grande parte dos convidados já chegou.

“Parte” é o núcleo do sujeito e está no singular.


Ficou com dúvidas? Compartilhe com seus alunos ou colegas e pratique mais! A concordância correta deixa seu texto muito mais claro e elegante!

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O uso dos porquês: por que, porque, por quê e porquê — de forma descomplicada https://portuguesando.com.br/o-uso-dos-porques-por-que-porque-por-que-e-porque-de-forma-descomplicada/ Thu, 08 May 2025 10:50:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=762

Um dos tópicos mais temidos na gramática do português brasileiro é o uso dos porquês. São quatro formas — “por que”, “porque”, “por quê” e “porquê” — que, embora pareçam semelhantes, têm usos e significados diferentes. Neste artigo, vamos esclarecer de forma simples e prática como usar cada um deles, com exemplos e atividades com gabarito comentado.


1. Por que (separado e sem acento)

Usa-se quando a expressão equivale a “por qual razão” ou “pelo qual”.

Exemplos:

  • Por que você saiu tão cedo? (por qual razão)
  • Não sei o motivo por que ela chorou. (pelo qual)

2. Porque (junto e sem acento)

É uma conjunção causal ou explicativa. Equivale a “pois”, “uma vez que”, “já que”.

Exemplos:

  • Saí porque estava cansado.
  • Não fui à festa porque estava doente.

3. Por quê (separado e com acento)

Usa-se quando a expressão aparece no final da frase, ainda com o sentido de “por qual razão”.

Exemplos:

  • Você saiu tão cedo, por quê?
  • Eles desistiram, por quê?

4. Porquê (junto e com acento)

É um substantivo masculino e vem sempre acompanhado de um determinante (o, um, este, etc.). Significa “o motivo”, “a razão”.

Exemplos:

  • Ninguém sabe o porquê da sua tristeza.
  • Explicaram os porquês da mudança.

Atividade: complete as frases com o tipo de ‘porquê’ correto

  1. Não entendi ______ ele agiu assim.
  2. Ela não explicou o ______ da decisão.
  3. Você faltou à reunião, ______?
  4. Não fui ao cinema ______ estava chovendo.
  5. Esse é o motivo ______ estamos aqui hoje.

Gabarito comentado

  1. por que — substituível por “por qual razão”.
  2. porquê — substantivo, com artigo definido “o”.
  3. por quê — está no final da frase e deve ser acentuado.
  4. porque — conjunção causal (equivale a “pois”).
  5. por que — substituível por “pelo qual”.

Dominar o uso dos porquês não precisa ser um bicho de sete cabeças. Com prática e atenção, é possível escrever com mais clareza e confiança. Compartilhe com quem também tem dúvidas e pratique sempre!

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Concordância Verbal: Os Casos que Mais Confundem https://portuguesando.com.br/concordancia-verbal-os-casos-que-mais-confundem/ Tue, 06 May 2025 10:30:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=748 Você já hesitou na hora de escrever ou dizer frases como “houveram problemas” ou “fazem cinco anos”? Se a resposta for sim, saiba que não está sozinho! A concordância verbal está entre os assuntos que mais geram dúvidas, inclusive entre quem já domina bem o idioma. Neste artigo, vamos descomplicar os casos mais traiçoeiros, com explicações práticas, exemplos claros e aquele toque de bom humor que o Portuguêsando adora!

O que é Concordância Verbal?

Antes de entrar nos casos mais cabeludos, vale lembrar: concordância verbal é a regra que determina que o verbo deve se ajustar ao sujeito da oração, em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª). Parece simples, né? Mas há algumas armadilhas linguísticas que confundem até os mais atentos.


1. “Houveram problemas” — Será que está certo?

Errado!
Muita gente tenta aplicar a regra básica da concordância aqui, mas o verbo haver, no sentido de existir ou acontecer, é impessoal. Isso significa que ele não tem sujeito e fica sempre no singular, mesmo que a frase pareça pedir o plural.

🔹 Correto: Houve problemas na reunião.
🔸 Errado: Houveram problemas na reunião.

📌 Dica: Sempre que puder trocar haver por existir e a frase continuar com sentido, use houve no singular.


2. “Fazem cinco anos” ou “Faz cinco anos”?

Outro clássico!

Errado: Fazem cinco anos.
Correto: Faz cinco anos que nos conhecemos.

Assim como haver, o verbo fazer, quando indica tempo decorrido, também é impessoal. Ou seja, fica no singular.

🔹 Faz dois séculos que essa dúvida aparece.
🔹 Faz meses que estudo esse assunto.


3. “Havia muitas pessoas” ou “Haviam muitas pessoas”?

Você já sabe a resposta, né? Se pensou em “havia”, acertou!

Nesse caso, novamente, o verbo haver significa existir, então continua sendo impessoal. Não interessa quantas pessoas: o verbo permanece no singular.

🔹 Correto: Havia muitas pessoas na fila.
🔸 Errado: Haviam muitas pessoas na fila.


4. Sujeito Partitivo — “A maioria dos alunos passou ou passaram?”

Aqui a língua permite duas construções:

🔹 A maioria dos alunos passou na prova.
🔹 A maioria dos alunos passaram na prova.

Ambas estão corretas, mas com nuances diferentes:

  • Verbo no singular → ênfase no conjunto (“a maioria”).
  • Verbo no plural → ênfase nos indivíduos do grupo (“os alunos”).

📌 No ENEM e em concursos, recomenda-se usar o singular, que é mais formal.


5. Com expressões como “um dos que”… cuidado!

Frase: Ele é um dos que mais contribuem para o sucesso do time.

O verbo deve concordar com “os que”, não com “um”!
Por isso, dizemos contribuem, e não contribui.

🔹 Correto: Você é um dos que mais inspiram os colegas.
🔸 Errado: Você é um dos que mais inspira os colegas.


6. Expressões com “mais de um”

Essa é pegadinha!

🔹 Quando a ação é única e simultânea, o verbo fica no singular:
Mais de um aluno respondeu a prova corretamente.

🔹 Quando a ação é repetida por vários sujeitos, o verbo vai ao plural:
Mais de um aluno levantaram a mão ao mesmo tempo.


Resumo Rápido:

ExpressãoCorretoErrado
Haver no sentido de existirHouve problemasHouveram problemas
Fazer indicando tempoFaz cinco anosFazem cinco anos
Haver com “muitas pessoas”Havia muitas pessoasHaviam muitas pessoas
Sujeito coletivoA maioria passouA maioria passaram (aceita)
Um dos que…Um dos que contribuemUm dos que contribui
Mais de um…Mais de um respondeuMais de um responderam

Atividade

Complete as frases com a forma verbal correta:

  1. (Haver) ______ muitas dúvidas na última aula.
  2. (Fazer) ______ dez anos que moro nesta cidade.
  3. A maioria dos estudantes (concordar) ______ com a mudança.
  4. Ele é um dos que mais (colaborar) ______ com o grupo.
  5. Mais de um cliente (reclamar) ______ da mesma coisa.

✅ Gabarito Explicado

  1. Havia → Verbo impessoal no singular.
  2. Faz → Verbo impessoal indicando tempo.
  3. Concorda → Ênfase no coletivo.
  4. Colaboram → Concordância com “os que”.
  5. Reclamou ou reclamaram → Ambas possíveis, depende do contexto.

Conclusão

A concordância verbal pode até assustar à primeira vista, mas com prática e atenção, ela deixa de ser um bicho-papão. Aqui no Portuguesando, nosso lema é: aprender com leveza, humor e clareza. Então, da próxima vez que encontrar uma frase duvidosa, respire fundo, lembre-se dessas dicas e… siga concordando (corretamente)!

Você já cometeu algum desses erros? Conta pra gente nos comentários!

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A Crase Morreu? Mitos e Verdades sobre o Acento Grave Mais Temido do Português https://portuguesando.com.br/a-crase-morreu-mitos-e-verdades-sobre-o-acento-grave-mais-temido-do-portugues/ Fri, 02 May 2025 19:40:44 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=739

Será que a crase, esse acento grave (`) que frequentemente assombra estudantes e até mesmo escritores experientes, está realmente com os dias contados na língua portuguesa? É comum ouvirmos frases como “ninguém mais usa crase” ou “a crase vai acabar”, alimentando um mito sobre seu declínio. Mas será mesmo verdade? Esse pequeno sinal gráfico, muitas vezes percebido como um complexo desafio gramatical, carrega consigo uma importância fundamental para a clareza, a precisão e a correção do nosso idioma. Longe de ser um mero enfeite dispensável ou uma regra arcaica destinada ao esquecimento, a crase desempenha um papel lógico e essencial na estrutura de inúmeras frases que utilizamos no cotidiano. Neste artigo aprofundado, vamos desmistificar de vez a crase, explorar seus usos corretos (e os erros mais comuns!), entender as razões por trás do receio que ela inspira e, finalmente, responder à pergunta que persiste: a crase morreu ou continua sendo uma ferramenta vital e indispensável na comunicação escrita?

Desvendando o Mistério: O Que é a Crase, Afinal?

Antes de entrarmos em pânico ou de apressadamente decretarmos o fim da crase, é fundamental compreendermos o que ela realmente representa no sistema da língua portuguesa. Contrariando o senso comum, ‘crase’ não é o nome do acento gráfico em si (`) – este é chamado de acento grave. A crase, na verdade, é o nome que se dá ao fenômeno fonético e gramatical da fusão ou contração de duas vogais idênticas em sequência. No português padrão contemporâneo, a ocorrência mais célebre e relevante para a maioria das dúvidas é a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou sua forma plural “as”). Adicionalmente, a crase pode ocorrer pela fusão da mesma preposição “a” com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)” e “aquilo”.

Para sinalizar visualmente na escrita que essa fusão ocorreu, empregamos o acento grave sobre a vogal “a”. Portanto, o “à” não deve ser visto como uma letra distinta ou um simples adorno estilístico; ele é a representação gráfica da união de “a + a”. Uma maneira prática de visualizar isso é pensar que, em vez de escrevermos uma sequência como “Vou a a praia”, a forma contraída, elegante e normativamente correta é “Vou à praia”. Esse “à” indica inequivocamente a presença simultânea da preposição “a”, exigida pela regência do verbo “ir” (pois quem vai, vai a algum lugar), e do artigo definido feminino “a”, que acompanha o substantivo feminino “praia”. Internalizar essa lógica fundamental da fusão é o primeiro e mais crucial passo para dissipar o medo e começar a empregar a crase com segurança e propriedade.

Por que tanto Medo? Investigando as Raízes da “Crasefobia”

A aversão generalizada à crase, que poderíamos jocosamente chamar de “crasefobia”, possui raízes compreensíveis. Primeiramente, o conjunto de regras que normatizam seu uso pode parecer, à primeira vista, numeroso e intrincado, especialmente quando comparado a outras convenções de acentuação gráfica. A necessidade de realizar uma análise sintática, verificando a regência verbal ou nominal (isto é, qual termo exige a preposição “a”?) e, subsequentemente, confirmando se a palavra seguinte admite o artigo feminino “a” (ou se pertence ao grupo específico de pronomes demonstrativos), demanda um raciocínio gramatical um pouco mais abstrato e elaborado.

Adicionalmente, a forte influência da linguagem oral, na qual a distinção fonética entre o “a” preposição/artigo isolado e o “à” craseado é praticamente inexistente na vasta maioria das variantes do português brasileiro, contribui significativamente para a dificuldade na escrita. Na conversação diária, raramente nos detemos a pensar se uma determinada estrutura pediria ou não a crase, e essa ausência de prática auditiva e oral acaba por se refletir na produção textual. Some-se a isso um modelo de ensino que, por vezes, prioriza a memorização mecânica de regras e exceções em detrimento da compreensão da lógica subjacente ao fenômeno da crase, e temos o terreno fértil para a insegurança generalizada e o temor de cometer erros. Como resultado, muitos indivíduos optam por simplesmente omitir o acento grave em situações de dúvida, numa tentativa de evitar o erro, o que, paradoxalmente, pode também comprometer a clareza, o sentido e a correção gramatical do texto.

As Regras do Jogo: Dominando o Uso da Crase sem Neuras

A excelente notícia é que, apesar da sua reputação intimidadora, as regras que governam o uso da crase não constituem um enigma indecifrável. Com um foco renovado na compreensão da lógica essencial da fusão (preposição “a” + artigo feminino “a”/pronome demonstrativo iniciado por “a”), é perfeitamente possível dominar os cenários de uso mais frequentes e relevantes. Vamos explorar os casos mais comuns de ocorrência da crase de uma maneira clara e descomplicada:

1. Antes de Palavras Femininas (que admitem o artigo “a”): Esta é, sem dúvida, a regra de ouro e a situação mais recorrente. Se um verbo ou um nome em sua regência exige a preposição “a”, e a palavra que o sucede é um substantivo feminino que naturalmente aceita o artigo definido “a”, a crase é obrigatória. Um truque clássico e bastante eficaz para verificar essa condição é substituir mentalmente a palavra feminina por uma masculina correlata; se a sequência resultante for “ao” (preposição “a” + artigo “o”), então a forma feminina correspondente exigirá a crase. Por exemplo, na frase “Refiro-me à situação atual”, podemos substituir “situação” por “problema” (masculino), resultando em “Refiro-me ao problema atual”. A presença do “ao” confirma que “à situação” deve levar crase. Outros exemplos ilustrativos incluem: “Fui à feira” (compare com “Fui ao mercado”) e “Assistimos à peça de teatro” (compare com “Assistimos ao filme”).

2. Antes dos Pronomes Demonstrativos “aquele(s)”, “aquela(s)”, “aquilo”: Quando a preposição “a” for exigida por um termo regente antes desses pronomes demonstrativos específicos, a crase ocorrerá invariavelmente. A lógica subjacente é exatamente a mesma da regra anterior: trata-se da fusão da preposição “a” com a vogal “a” inicial desses pronomes. Exemplos claros são: “Entreguei o documento àquela funcionária” (pois quem entrega, entrega algo a alguém) e “Faça referência àquilo que discutimos ontem” (pois fazemos referência a algo).

3. Na Indicação de Horas Determinadas: O uso da crase é padrão para indicar horas exatas do relógio. Exemplificando: “A reunião começará às 14h”; “Chegamos à meia-noite”. É importante notar, contudo, que se outras preposições como “para”, “desde”, “após” ou “entre” precederem a indicação horária, a crase não deve ser utilizada (“Marcaram o encontro para as 15h”, “Estamos aqui desde as 8h”).

4. Em Locuções Adverbiais, Prepositivas e Conjuntivas de Base Feminina: Diversas expressões fixas na língua, que geralmente indicam circunstâncias de tempo, modo ou lugar e são formadas a partir de palavras femininas, tradicionalmente levam crase. Alguns exemplos frequentes são: “Às vezes, sinto saudades”; “Ele saiu às pressas“; “Estamos à disposição para ajudar”; “Na esquina, virou à direita“; “À medida que o tempo passa, aprendemos mais”; “Fique à vontade para perguntar”; “Pagamento à vista“; “Viver às custas de alguém”.

Fique Atento! Quando a Crase NÃO deve ser Usada

Tão crucial quanto saber quando empregar a crase é reconhecer as situações em que ela não tem cabimento. Evitar esses erros comuns representa um grande avanço no domínio do acento grave. É crucial também saber quando a crase não deve ser utilizada, pois evitar esses erros comuns simplifica o processo. Primeiramente, lembre-se que a crase resulta da fusão com o artigo feminino ‘a’, portanto, antes de palavras masculinas como ‘cavalo’, ‘prazo’ ou ‘pé’, ela não ocorre; pense em ‘andar a cavalo’ ou ‘pagamento a prazo’. Da mesma forma, verbos no infinitivo não admitem artigo, invalidando a crase em construções como ‘começou a chover’ ou ‘disposto a colaborar’. A maioria dos pronomes, incluindo pessoais (ela), de tratamento (Vossa Excelência, você – com exceção de ‘senhora’ e ‘senhorita’), indefinidos (ninguém) e demonstrativos (esta), também repelem a crase antes de si: ‘disse a ela’, ‘refiro-me a esta situação’. Nomes de cidades que não são naturalmente acompanhados pelo artigo ‘a’ seguem a mesma lógica: se dizemos ‘vim de Roma’, então é ‘vou a Roma’, sem crase; contudo, se a cidade admite o artigo, como em ‘vim da Bahia’, usamos ‘vou à Bahia’. A especificação também pode chamar o artigo e, consequentemente, a crase, como em ‘fui à Roma antiga’. Finalmente, expressões com palavras repetidas, como ‘cara a cara’ ou ‘dia a dia’, e antes de numerais cardinais (exceto horas), como ‘chegou a duzentos’, dispensam o acento grave.

Casos Especiais e Nuances: A Crase Facultativa

Sim, para adicionar uma camada extra de nuance e, por vezes, de dúvida, existem situações específicas na norma culta em que o uso da crase é considerado facultativo, ou seja, tanto a presença quanto a ausência do acento grave são consideradas corretas. Para adicionar uma camada extra de nuance, existem situações onde o uso da crase é facultativo, ou seja, opcional. Isso acontece notavelmente antes de pronomes possessivos femininos no singular, como ‘minha’, ‘tua’ ou ‘sua’. Tanto ‘Refiro-me a sua ideia’ quanto ‘Refiro-me à sua ideia’ são consideradas corretas, pois o artigo antes do possessivo é opcional. Outro caso comum de opcionalidade ocorre antes de nomes próprios femininos: ‘Entreguei o presente a Paula’ e ‘Entreguei o presente à Paula’ são ambas aceitáveis, refletindo a variabilidade do uso do artigo antes de nomes na língua. Por fim, após a preposição ‘até’, a crase também pode ser facultativa: ‘Fui até a praia’ ou ‘Fui até à praia’. A escolha, nesses casos, pode depender de fatores estilísticos ou de clareza, mas gramaticalmente ambas as formas são válidas.

O Veredito Final: A Crase Morreu? Longe Disso!

Retornando à nossa indagação inicial e confrontando o mito popular: a crase definitivamente não morreu, nem está em vias de desaparecer da norma culta da língua portuguesa. Pelo contrário, ela continua sendo uma ferramenta linguística vital, indispensável para garantir a precisão semântica, a clareza da mensagem e a elegância da escrita formal. Ignorar sua existência ou utilizá-la de maneira incorreta pode não apenas gerar ambiguidades e mal-entendidos – como na clássica distinção entre “Vender a vista” (vender os próprios olhos) e “Vender à vista” (vender com pagamento imediato), onde a crase é o único elemento diferenciador – mas também pode ser interpretado como um sinal de descuido ou falta de domínio da norma padrão.

Em vez de cultivar o temor pela crase, deveríamos encará-la como uma aliada poderosa na busca por uma comunicação escrita mais eficaz e refinada. Compreender a lógica fundamental que a rege – a elegante fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” ou com as vogais iniciais de pronomes específicos – revela-se uma abordagem muito mais produtiva e duradoura do que a simples memorização de listas intermináveis de regras e exceções. A prática constante da escrita, a leitura atenta de bons textos e a consulta regular a materiais de referência confiáveis (gramáticas, dicionários de regência) são, sem dúvida, os melhores caminhos para consolidar o conhecimento e dominar o uso da crase com naturalidade e confiança.

Portanto, da próxima vez que a dúvida sobre o uso do acento grave surgir durante a escrita, respire fundo, analise a estrutura da frase com calma, relembre a lógica essencial da fusão e faça a sua escolha de forma consciente e fundamentada. A crase não é um obstáculo intransponível, mas sim uma característica inteligente, funcional e distintiva do nosso rico idioma.

E você, qual a sua maior dificuldade ou dúvida em relação ao uso da crase? Possui alguma dica ou truque infalível que gostaria de compartilhar para ajudar outros a não errarem mais? Deixe suas experiências, perguntas e sugestões nos comentários abaixo! Vamos continuar Portuguesando e aprendendo juntos!

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Proposta de Redação – Crônica https://portuguesando.com.br/proposta-de-redacao-cronica/ Fri, 28 Mar 2025 06:43:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=687

Tema: “Pequenos absurdos do cotidiano”

A vida cotidiana é repleta de situações inesperadas, engraçadas ou até absurdas, que muitas vezes passam despercebidas. Pode ser um diálogo inusitado no transporte público, um erro cômico no trabalho, ou mesmo um hábito social que, ao ser observado de perto, parece sem sentido. A crônica tem o poder de transformar esses momentos em textos envolventes e reflexivos, convidando o leitor a enxergar o mundo de uma nova forma.

Escreva uma crônica sobre um episódio cotidiano curioso ou absurdo, real ou fictício, que provoca reflexão ou diversão.


Estrutura da Redação (Crônica)

  1. Título(opcional)
    • Pode ser sugestivo, humorístico ou irônico, ajudando a capturar a atenção do leitor.
  2. Introdução(contextualização do tema)
    • Apresente o cenário e os personagens (caso haja).
    • Crie proximidade com o leitor, como se estivesse compartilhando uma história casualmente.
  3. Desenvolvimento(exposição e progressão da ideia central)
    • Descreva os acontecimentos de forma envolvente.
    • Use detalhes sensoriais

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Vírgula? Como usar? https://portuguesando.com.br/uso-da-virgula/ Tue, 11 Mar 2025 12:12:00 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=640

Questões:

  1. Assinale uma alternativa para que a vírgula separe corretamente o aposto:

a) O Brasil um país tropical, é conhecido por suas belas praias.
b) O escritor Machado de Assis, um dos maiores da literatura brasileira, escreveu Dom Casmurro.
c) O poeta Carlos Drummond de Andrade lançou, sua obra mais famosa Sentimento do Mundo.
d) Minha irmã que mora em São Paulo, para o Rio de Janeiro.

2. Em que frase a vírgula foi usada corretamente:

a) João vamos ao cinema hoje?
b) Maria, você já concluiu uma tarefa?
c) Por favor senhor, poderia me ajudar?
d) Ei garoto, venha aqui!

3. Qual das opções apresenta o uso correto da vírgula:

a) Nasci em São Paulo, Brasil, e adoro essa cidade.
b) O evento ocorrerá em Belo Horizonte Minas Gerais, no próximo mês.
c) Fui viajar, para Salvador Bahia, no verão passado.
d) Moramos em Recife, Pernambuco desde 2010.

4. Marque uma alternativa com uso da vírgula empregado corretamente:

a) Brasília, em 21 de abril de 1960 foi inaugurada, como capital do Brasil.
b) Em 7, de setembro, de 1822 Dom Pedro I, declarou a independência do Brasil.
c) São Paulo, 25 de janeiro de 1554, é a data de fundação da cidade.
d) No dia 1 de maio, dia do trabalho ocorreram manifestações.

5. Qual alternativa correta para o uso da vírgula:

a) Pelé o rei do futebol, conquistou, três Copas do Mundo.
b) O cientista Albert Einstein, desenvolveu a teoria da relatividade.
c) Meu pai, um grande professor, ensinou-me muito sobre a vida.
d) O escritor, José de Alencar, lançou o romance Iracema em 1865.

6. Qual das frases abaixo apresenta o vocativo devidamente separado por vírgula?

a) Atenção passageiros do voo 305, o embarque já começou.
b) Senhoras e senhores sejam bem-vindos, ao evento.
c) Meu amigo, Pedro posso contar com você?
d) Pedro, traga os documentos, por favor.

7. Escolha uma alternativa com o uso correto da vírgula:

a) O festival acontecerá em Recife, Pernambuco, no próximo mês.
b) O escritor, nasceu em Porto Alegre Rio Grande do Sul.
c) Vou me mudar para Curitiba Paraná, no ano que vem.
d) A sede da empresa, fica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

8. Em qual frase a vírgula está incorreta:

a) O Rio Amazonas, o maior do mundo, percorre vários países, da América do Sul.
b) Meu carro, um modelo esportivo, foi vendido ontem.
c) Machado de Assis, um grande escritor, escreveu Memórias Póstumas de Brás Cubas.
d) Meu irmão mais velho, Carlos, trabalha como engenheiro.

Gabarito: 1-b; 2-b; 3-a; 4-c; 5-c; 6-d; 7-a; 8-a

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USO DA CRASE https://portuguesando.com.br/uso-da-crase/ Fri, 07 Mar 2025 17:45:55 +0000 https://portuguesando.com.br/?p=635

1) Assinale a alternativa em que o uso da crase está correto:
a) Fui à mercado comprar frutas.
b) Dei o presente à minha mãe.
c) Ela chegou às oito horas da noite.
d) Vamos à festa do amigo Pedro.
e) Todas as alternativas estão corretas.

2) Marque a alternativa em que a crase foi usada incorretamente:
a) Chegamos à cidade no fim da tarde.
b) Assisti à peça de teatro ontem.
c) Ela foi à praia todos os dias.
d) Vou à aquele restaurante famoso.
e) Dirigi-me às lojas do shopping.

3) Complete a frase com a opção correta:
“Eles viajaram ___ Europa nas férias.”

a) à
b) a
c) às
d) ao
e) Nenhuma das alternativas.

4) Em qual das frases abaixo há erro no uso da crase?
a) Voltarei à casa dos meus pais em breve.
b) A empresa se referiu às normas do contrato.
c) Obedeci à regra estabelecida pelo professor.
d) Compramos os ingressos à medida que chegavam os convidados.
e) Ele foi à aquele evento importante.

5) Em qual das alternativas a crase está incorreta?
a) Darei flores à minha avó.
b) Voltaremos à fazenda no próximo feriado.
c) O gerente chamou à cliente para conversar.
d) O aluno se referiu às normas do regulamento.
e) Vou à escola todos os dias.

6) Assinale a alternativa correta:
a) Fomos à praia e aproveitamos o sol.
b) Ela entregou os documentos à prefeitura.
c) O professor se referiu às diretrizes do projeto.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

7) A crase deve ser usada na seguinte frase:
a) Ele foi a Espanha a trabalho.
b) Dirigimo-nos a instituição que promove o evento.
c) Fui a uma reunião importante.
d) A empresa faz referência às normas do contrato.
e) Vou a Porto Alegre visitar meus amigos.

8) A frase “Ela voltou à casa dos pais” indica:
a) Uso incorreto da crase.
b) Uso correto da crase, pois “casa” está determinada.
c) Uso opcional da crase.
d) Uso incorreto da crase, pois “casa” não aceita crase.
e) Nenhuma das alternativas.

9) Qual opção apresenta erro no uso da crase?
a) Voltaremos à escola amanhã.
b) Ele foi à Europa estudar.
c) Fiz referência àquelas diretrizes.
d) Vou àquela cidade nas férias.
e) As crianças foram a praia brincar.

10) Assinale a frase em que o uso da crase está incorreto:
a) Dei atenção àquela aluna.
b) Andei à cavalo no sítio.
c) Ele voltou à cidade natal.
d) Ela assistiu à novela com interesse.
e) Fui à feira comprar frutas.

11) O uso da crase está correto em:
a) Referi-me às pessoas presentes.
b) O documento está à disposição dos funcionários.
c) Respondeu à mensagem com pressa.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

12) Em qual alternativa a crase foi usada de forma errada?
a) Vou à biblioteca estudar.
b) Dei um presente à minha mãe.
c) Ele se dirigiu às professoras para tirar dúvidas.
d) Assistimos à aquele filme famoso.
e) Entreguei os papéis à secretária.

13) Assinale a frase em que a crase está incorreta:
a) Ele foi àquela loja famosa.
b) Prefiro arroz à moda da casa.
c) Dirigi-me à secretaria para pedir informações.
d) Vou à escola a tarde toda.
e) Ela se referiu às antigas tradições.

14) A crase está corretamente empregada em:
a) À medida que estudamos, aprendemos mais.
b) Fui às festas de fim de ano.
c) Ele se referiu às funcionárias com respeito.
d) Todas estão corretas.
e) Nenhuma está correta.

15) Qual frase está correta quanto ao uso da crase?
a) A professora deu um aviso às alunas.
b) Dirigimo-nos à biblioteca para estudar.
c) Fui à feira comprar verduras.
d) Assisti à palestra com interesse.
e) Todas as alternativas estão corretas.


Gabarito: 1-e / 2-d / 3-a / 4-e / 5-c / 6-d / 7-d / 8-b / 9-e / 10-b / 11-d / 12-d / 13-d / 14-d / 15-e

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